Ladrões roubam e vendem alimentos doados ao Haiti

Por Joseph Guyler Delva PORTO PRÍNCIPE, Haiti (Reuters) - Os alimentos doados para as vítimas de furacões no Haiti foram roubados e colocados à venda, afirmaram autoridades que fecharam na terça-feira três armazéns cheios de comida desviada ilegalmente.

Reuters |

O prefeito da cidade de Carrefour (oeste), Yvon Jerome, disse que as autoridades entraram em ação depois de os moradores haverem se queixado da venda de arroz doado.

"Muitas pessoas estavam comprando o arroz porque era muito mais barato quando comparado com os preços do mercado legal", disse Jerome à Reuters. "Mas se pode ler nas embalagens a mensagem 'Doado por Taiwan'. Algumas trazem a inscrição 'Arroz dos EUA'", acrescentou.

Os armazéns com produtos roubados foram fechados e a comida será redistribuída entre os necessitados, afirmou o prefeito, que considerou o desvio do material de ajuda uma atrocidade contra a humanidade.

"Temos um grande número de haitianos morrendo de fome e precisando desses alimentos", disse Jerome. "E o fato de haver pessoas em uma situação melhor roubando esses produtos vai contra qualquer sentimento de humanidade ou caridade."

O Haiti foi atingido por quatro furacões em um mês: Fay, Gustav, Ike e Hanna. As tempestades provocaram inundações e deslizamentos de terra responsáveis por matar ao menos 800 pessoas, 534 das quais na cidade de Gonaives (norte do país). Essa cidade ficou quase totalmente submersa.

O governo haitiano, os países doadores e grupos de ajuda humanitária esforçam-se para alimentar centenas de milhares de vítimas das inundações que precisam de auxílio desesperadamente.

Autoridades do Poder Judiciário procuravam pelos acusados de terem entregado os produtos roubados aos armazéns da cidade de Carrefour, localizada perto da capital Porto Príncipe. Não se sabe ao certo, porém, com que frequência ocorreram os roubos.

O Programa Mundial de Alimentos disse que o índice de miséria vem aumentando dia a dia no Haiti, o país mais pobre do continente americano, e que a situação exigia um esforço maior a fim de evitar que pessoas morram de fome.

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