Ladrões do letreiro de Auschwitz não eram neonazistas

A polícia polonesa anunciou nesta segunda-feira que os cinco ladrões que levaram o letreiro com a frase em alemão Arbeit macht frei (O trabalho liberta) da entrada do antigo campo nazista de extermínio de Auschwitz (sul da Polônia) são criminosos comuns e não não pertencem a nenhum grupo neonazista.

AFP |

"Segundo as informações de que dispomos, nenhum dos cinco pertence a um grupo neonazista, nem é adepto das ideias", declarou à imprensa o comandante Andrzej Rokita, chefe de polícia da região da Cracóvia.

"São reincidentes, que já haviam sido condenados por roubo e agressão", completou.

A polícia polonesa havia anunciado na noite de domingo ter encontrado a placa com a inscrição roubada na sexta-feira passada.

Os investigadores não descartam que os ladrões podem ter agido por conta de um colecionador, e que este possa ser um neonazista.

"No momento, nós estamos nos atendo à motivacão. Sem dúvida, agiram por dinheiro, mas é difícil saber se o fizeram por conta de terceiros ou não", explicou Rokita.

Os cinco detidos têm idades que variam de 20 a 40 anos e podem pegar penas de até dez anos de prisão.

"O letreiro foi cortado em três pedaços no próprio local do roubo para facilitar seu transporte. Depois foi escondido numa floresta, perto da casa de um dos ladrões", explicou a polícial

A histórica inscrição será restituída ao Museu de Auschwitz tão logo seja possível e antes do 65º aniversário da libertação do campo pelo Exército soviético em 27 de janeiro de 1945, precisou Rokita.

A placa com a frase em alemão simboliza, para a maioria, o cinismo sem limites da Alemanha nazista.

O roubo do item foi considerado uma verdadeira profanação.

"Foi um ato abominável que remete à profanação e que constitui um novo testemunho do ódio e da violência contra os judeus", disse Sylvan Shalom, ministro israelense do Desenvolvimento Regional.

"Ter colocado essa inscrição na entrada do campo de extermínio, onde a esperança de sobrevivência estava reduzida a nada, mostrava o cinismo atroz dos nazistas", comentou Pawel Sawicki, porta-voz do Museu de Auschwitz.

O slogan popularizado pelo pastor alemão Lorenz Diefenbach, morto em 1886, em seu livro "Arbeit Macht Frei", foi retomado pelos nazistas em 1930.

No início, os nazistas o utilizavam com fins de propaganda na luta contra o elevado desemprego na Alemanha, mas, anos mais tarde, se converteu num slogan dos campos de trabalho e extermínio alemães.

A ideia de utilizar a frase nos campos é atribuída ao SS Theodor Eicke, um dos chefes da concepção e organização das redes de campos nazistas.

"Arbeit macht frei" figurava na entrada dos campos de Dachau, Gross-Rosen, Sachsenhausen, Theresienstadt, Flossenburg e Auschwitz, o maior de todos os campos de extermínio.

Fabricada em julho de 1940 por um prisioneiro polonês, o ferreiro Jan Liwacz, a inscrição de Auschwitz é de aço, mede cinco metros e tem uma particularidade: a letra B da palavra Arbeit está invertida.

Segundo uma interpretação perpetuada pelos sobreviventes, o B invertido simbolizava insubmissão e a resistência à opressão nazista, explicou Sawicki.

Quando, em 27 de janeiro de 1945, o Exército soviético libertou Auschwitz, a inscrição foi desmontada e ia ser levada para o Leste de trem.

No entanto, Eugeniusz Nosal, um prisioneiro polonês recém-libertado, subornou um guarda soviético com uma garrafa de vodca para recuperá-la.

Escondida durante dois anos na prefeitura de Oswiecim (nome polonês do campo de Auschwitz), a inscrição voltou a seu lugar original em 1947, quando o campo de extermínio virou museu e memorial.

Entre 1940 e 1945, o regime nazista alemão exterminou 1,1 milhão de pessoas em Auschwitz-Birkenau.

sw/fp/cn

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