Lacres de reator nuclear da Coréia do Norte são retirados

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que retirou os lacres de segurança e câmeras de vigilância do reator nuclear de Yongbyon, na Coréia do Norte, atendendo ao pedido do governo do país. A Coréia do Norte afirma que a medida é parte de um plano para reativar a usina de Yongbyon e que planeja iniciar testes na usina envolvendo materiais nucleares já na próxima semana.

BBC Brasil |

Melissa Fleming, uma porta-voz da AIEA, afirmou que recebeu estas informações da Coréia do Norte.

"A Coréia do Norte também informou aos inspetores da AIEA que há planos para retornar materiais nucleares à usina de reprocessamento na próxima semana. Eles também declararam que, a partir de agora, os inspetores da AIEA não terão mais acesso à instalação", afirmou.

Na segunda-feira as autoridades norte-coreanas pediram a inspetores da agência da ONU que retirassem seus lacres e câmeras de vigilância para que pudessem realizar testes que não envolveriam material nuclear.

Segundo a correspondente da BBC em Viena, Bethany Bell, o presidente da agência, Mohamed El Baradei, disse que seus inspetores observaram que recentemente alguns equipamentos que haviam sido removidos do reator foram levados de volta, mas que as instalações continuam desligadas.

A remoção de lacres de reatores norte-coreanos em 2002 desencadeou uma crise que culminou com a realização de testes de uma arma nuclear pelo país em 2006.

Gesto
O governo da Coréia do Norte iniciou o desmantelamento do reator em novembro de 2007.

Em junho, o país submeteu, com grande atraso, um relatório revelando detalhes de suas instalações nucleares - esperando, em contrapartida, a remoção imediata de seu nome da lista americana de países que apóiam o terrorismo.

O país chegou a explodir a principal torre de resfriamento em Yongbyon em um gesto de seu comprometimento com o processo.

Os Estados Unidos, entretanto, afirmaram que não retirariam o país da lista até que a Coréia do Norte concordasse com inspeções para verificar a veracidade do que havia revelado.

Ameaça
Na semana passada, um diplomata norte-coreano anunciou que o país vai interromper o desmantelamento de seu programa nuclear e reativar as operações do reator.

Segundo Hyun Hak-bong, a medida foi motivada pela falta de compromisso dos Estados Unidos em cumprir com sua parte no acordo firmado em julho entre seis países para o desarmamento nuclear da Coréia do Norte.

O grupo dos seis países que negociam a questão nuclear norte-coreana - Estados Unidos, China, Rússia, Japão e as duas Coréias - ainda não chegou a um entendimento sobre a melhor maneira de verificar essas informações.

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