Laboratórios dizem que vacina para H1N1 está perto da produção

Por Ben Hirschler LONDRES (Reuters) - Depois de receberem amostras da cepa do vírus da gripe H1N1, fabricantes de medicamentos estão prestes a produzir uma vacina que poderá ser utilizada no outono do hemisfério norte, disseram funcionários dos laboratórios nesta quarta-feira.

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Sanofi-Aventis, GlaxoSmithKline, Novartis e Solvay disseram que suas equipes encarregadas da vacina obtiveram a cepa do vírus da nova gripe A (H1N1) nos últimos 15 dias, o que lhes capacitou a iniciar o processo de produção.

O que não está claro, no entanto, é a quantidade de vacinas que eles serão capazes de produzir, uma vez que isto depende da facilidade com que a nova cepa do vírus crescerá num ambiente de produção comercial.

"Levará provavelmente algumas semanas para apurar a produção antes de começarmos a fabricação em larga escala", disse um porta-voz da Glaxo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse na terça-feira que estava prestes a declarar a primeira pandemia de gripe em mais de 40 anos.

A entidade está preocupada com a disseminação sustentada da cepa do H1N1 -- incluindo mais de 1.000 casos na Austrália -- depois de grandes surtos na América do Norte, onde a doença surgiu em abril.

A confirmação de disseminação em comunidades em uma segunda região, além da América do Norte, levaria à mudança no nível de alerta para a fase 6, o grau máximo na escala da OMS, o que significa uma epidemia global plenamente desenvolvida.

Investimentos recentes em capacidade de produção de vacina contra a gripe mostram que as empresas estão atualmente em muito melhor forma para enfrentar o desafio de pandemias.

Elas também estão bastante avançadas na produção de suprimentos de aplicações de vacinas para as gripes sazonais, o que lhes permite transferir nos próximos meses parte dessa capacidade para a produção da vacina contra a pandemia de H1N1.

Como resultado, poderá haver este ano repentino aumento de vendas e lucro para as principais fabricantes, das quais algumas já receberam encomendas de governos na Europa e América do Norte para a vacina contra o H1N1.

Embora no momento a cepa da gripe H1N1 pareça moderada, autoridades do setor de saúde temem que possa retornar em uma forma mais virulenta no inverno do hemisfério norte.

A OMS estima que os fabricantes de vacina poderiam, no melhor cenário, produzir 4,9 bilhões de doses de vacina por ano, embora isto ainda possa não ser suficiente para toda a população mundial de 6,5 bilhões de pessoas, especialmente se for necessária mais de uma injeção para a garantia de imunidade

A estimativa de 4,9 milhões de doses seria significativamente mais baixa se não houver mudança total da produção da vacina sazonal para a destinada a conter a pandemia.

A vacina H1N1 que está sendo desenvolvida pelas indústrias deverá ser testada primeiro em cobaias e depois em humanos, em experimentos clínicos, antes de ser aprovada pelas autoridades.

(Reportagem adicional de Aaron Gray-Block em Amsterdã; Sam Cage em Zurique; e Caroline Jacobs em Paris)

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