Kristallnacht, a Noite dos Cristais, completa 70 anos

A Rádio Madrid foi a primeira a revelar a dimensão da violência registrada na noite de 9 de novembro de 1938 na Alemanha e na Áustria, durante o Reich hitlerista, quando inúmeras sinagogas foram queimadas, lojas e lares de judeus foram saqueados e milhares de judeus foram agredidos e detidos.

AFP |

Conhecida popularmente como "Kristallnacht", a Noite dos Cristais foi quando, pela primeira vez, 30.000 foram levados a campos de concentração simplesmente por pertenceram à "raça judaica".

Os judeus já vinham sendo discriminados desde 1935, mas acreditavam que podiam continuar vivendo normalmente na Alemanha.

"Eu acordei com o barulho dos vidros quebrando", escreveu Margot Schwarz, que tinha 17 anos na pequena cidade de Horb, na Baviera. "As pedras atingiam todas as janelas da casa... Bem cedinho, eles vieram prender meu pai", contou.

Em Frankfurt, quando Benjamin Marx chegou à escola judaica, ele soube que a sinagoga vizinha havia sido queimada. A diretora mandou as crianças de volta para casa. Em casa, seu pai ouvia rádios estrangeiras, para tentar entender o que estava acontecendo.

Madri estava ainda nas mãos dos republicanos comandados por Franco, e sua rádio divulgava principalmente propaganda antifascista. "Estas informações davam, a princípio, margem para dúvidas, mas, com os passar das horas, outras rádios estrangeiras confirmaram estes boletins", escreveu o historiador britânico Martin Gilbert em "Kristallnacht: prelude to destruction".

Em toda a Alemanha, na Áustria e nos territórios tchecos anexados, os 'camisas marrons' da SA, auxiliados pelos integrantes das Juventudes Hitleristas, incendiavam centenas de sinagogas.

Os bombeiros convocados tinham ordem de apenas impedir que os incêndios se estendessem. Em Berlim, a sinagoga da Rykestrasse, onde a chanceler Angela Merkel deve participar neste domingo de uma cerimônia, foi poupada por medo de que as chamas destruíssem os prédios vizinhos.

Lojas atacadas, judeus insultados, assassinados. Susanne Ster, 81 anos, foi morto com três tiros na cabeça por ter se negado a deixar sua casa de Heilbronn (sudoeste), relata um documentário divulgado na quarta-feira pela televisão pública alemã.

Hitler, observou o ministro da Propaganda Joseph Goebbels em seu diário, havia decidido que os "judeus deveriam sentir a raiva do povo". Dessa forma, as SA iniciaram seus ataques usando roupa civil para que tudo parecesse um ação espontânea da população contra os judeus. Os poucos cidadãos que se mostraram indignados com tanta brutalidade foram forçados ao silêncio.

Dos 30.000 judeus detidos depois da Kristallnacht, mil morreram nos campos de concetração. Os outros foram soltos quando a guerra começou em setembro de 1939, e muitos conseguiram fugir do país.

Nunca mais houve um pogrom na Alemanha, mas a repressão se agravou. Ainda sem lei, os judeus foram forçados a liquidar seus bens, numa gigantesca operação de pilhagem organizada.

Sem recursos, a emigração, então objetivo declarado do regime, tornou-lhes ainda mais difícil.

Em outubro de 1941, começaram as deportações para os campos de extermínio, onde a história seguiu seu curso monstruoso.

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