Kouchner diz que França não impõe condições à presença de Sarkozy nos Jogos

Paris, 5 abr (EFE).- Bernard Kouchner, ministro de Assuntos Exteriores da França, afirmou neste sábado que o país não impõe condições à China para a presença do presidente Nicolas Sarkozy à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, mas advertiu que tudo está em aberto.

EFE |

"A França não impôs condições", disse Kouchner à emissora "France 2", em uma tentativa de esclarecer o assunto após as declarações, depois desmentidas, da secretária de Estado de Direitos Humanos, Rama Yade.

Em entrevista no jornal "Le Monde", Yade mostrou uma postura muito crítica em relação à política chinesa no Tibete e afirmou que existem "três condições indispensáveis" para que Sarkozy esteja presente na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.

"São elas: o fim dos atos de violência contra a população e a libertação dos prisioneiros políticos, fim da censura sobre o que ocorre no Tibete e a abertura do diálogo com o dalai lama", líder espiritual tibetano, afirmou.

Porém, horas depois da publicação da entrevista no jornal, Yade divulgou comunicado em que negava ter utilizado a palavra "condições".

O Palácio do Eliseu não se manifestou, mas como várias vezes nas últimas semanas, Sarkozy não excluiu a hipótese de boicotar a cerimônia de abertura dos Jogos e deu a entender que vai tomar sua decisão de acordo com a evolução dos fatos.

"O presidente decidirá conforme o desenrolar da situação. Tudo ainda está em aberto, a posição da França não está decidida", afirmou Kouchner.

O ministro explicou que "impor condições tornaria impossível um eventual diálogo", em referência à oferta de Sarkozy de facilitar o diálogo entre China e o dalai lama.

Uma pesquisa divulgada neste sábado indica que 62% dos franceses apóiam o boicote de Sarkozy à cerimônia de abertura dos Jogos. Há duas semanas, este número era de 53%.

De acordo com o ministério, Kouchner e Yade se encontraram neste sábado com várias associações de direitos humanos para falar da situação na China e no Tibete.

O encontro serviu para reafirmar o apego ao respeito dos direitos humanos e sua disponibilidade em favorecer um diálogo concreto e construtivo entre as autoridades chinesas e o dalai lama - o único caminho para uma solução duradoura.

Kouchner e Yade lembraram seu pedido a favor da reabertura do Tibete e da "liberdade de expressão e informação" para que os recentes eventos sejam esclarecidos, numa referência à repressão do Governo chinês às manifestações.

Sobre a passagem da tocha olímpica por Paris na próxima segunda, Kouchner e Yade afirmaram que querem garantir o "bom andamento" do evento, mas vão respeitar "o direito das pessoas se manifestarem".

O Governo preparou um grande esquema de segurança para o evento da semana que vem, que vai impedir a aproximação dos manifestantes da tocha. EFE ao/plc

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