Kostunica reitera que Sérvia nunca renunciará ao Kosovo

Belgrado, 8 mai (EFE) - O primeiro-ministro em fim de mandato e líder do Partido Democrático da Sérvia (DSS), Vojislav Kostunica, afirmou hoje que a Sérvia nunca renunciará ao Kosovo durante o encerramento da campanha para as eleições parlamentares de domingo. Só a Sérvia íntegra entrará na União Européia (UE), exclamou o chefe de Governo sérvio no comício em uma praça no centro de Belgrado, enquanto os espectadores reunidos no local gritavam Vojo (apelido de Kostunica), Vojo. Nunca um povo renunciou ao seu território, à sua identidade, mas pedem (isso) à Sérvia. E dizem, além disso, que assim será melhor para nós, disse Kostunica, se referindo a que os sérvios consideram o Kosovo o berço de sua nação.

EFE |

Muitos sérvios temem que o reconhecimento da soberania do Kosovo possa ser - no futuro - uma exigência à Sérvia para sua entrada na UE, algo que consideram inaceitável.

Essa província de maioria albanesa proclamou em 17 de fevereiro, de forma unilateral, sua independência, que foi reconhecida pela maioria dos países da UE, o que fez aumentar o receio em relação à integração européia da Sérvia.

As eleições de domingo são realizadas em um ambiente de profunda divisão em relação ao percurso europeísta da Sérvia, iniciado no ano 2000, após a queda do regime autoritário de Slobodan Milosevic.

Os principais favoritos são o reformista pró-europeu Partido Democrático (DS), do presidente Boris Tadic, e o ultranacionalista Partido Radical Sérvio (SRS), que no passado foi aliado de Milosevic.

O DSS, do primeiro-ministro, seria o terceiro mais votado e poderia ser decisivo na hora de formar uma nova maioria.

O Governo de Kostunica, do qual fazia parte o DS de Tadic, tinha entre suas prioridades a preservação do Kosovo e a entrada na UE.

Agora, o chefe de Governo se transformou em um implacável crítico do bloco, exigindo que confirme a integridade territorial da Sérvia caso deseje entrar na família européia.

Kostunica anunciou hoje no comício que "a primeira tarefa de um novo Parlamento seria anular" o Acordo de Associação com a UE, assinado na semana passada pelos partidários de Tadic, que vê este assunto como algo independente do conflito do Kosovo.

O dirigente do SRS, Tomislav Nikolic, assegurou que a Sérvia não pode cumprir as duas "condições" exigidas pela UE para a sua entrada na União: a entrega do foragido Ratko Mladic, reclamado por Bruxelas, e aceitar a independência da ex-província do Kosovo.

Em entrevista ao jornal austríaco "Der Standard", que será publicada amanhã, Nikolic insistiu em que seu país "pode viver sem a UE".

Nikolic, que lidera as pesquisas de intenções de voto para as eleições do domingo, chamou de "incompetentes" Javier Solana, responsável pela política externa comum da UE, e Olli Rehn, comissário de Ampliação do bloco, e os acusou de "subestimar" a Sérvia.

Nas eleições de domingo, aproximadamente 6,7 milhões de cidadãos com direito a voto terão que escolher entre 22 partidos e coalizões, 10 deles das minorias. EFE sn/bm/db

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