Kostunica diz que não permitirá que Sérvia assine acordo de associação com UE

Belgrado, 9 abr (EFE).- O primeiro-ministro sérvio e líder do Partido Democrático da Sérvia (DSS), Vojislav Kostunica, declarou hoje que seu país não deve assinar o Acordo de Estabilização e Associação com a União Européia (UE), pois desta forma assinaria a independência do Kosovo.

EFE |

A postura de Kostunica é uma reação a declarações do responsável da UE para a política externa, Javier Solana, que ontem apostou em fazer o "que for possível" para favorecer a candidatura europeísta nas próximas eleições sérvias e por assinar o Acordo de Associação com este país antes da reunião eleitoral, no dia 11 de maio.

"Nós perguntamos agora publicamente a Solana se este Acordo respeita a Sérvia em suas fronteiras internacionalmente reconhecidas com sua província do Kosovo, ou se refere a uma Sérvia mutilada", declarou Kostunica em uma declaração publicada pela agência de notícias "Tanjug".

A Sérvia considera "ilegal" e contrária ao direito internacional a soberania declarada de forma unilateral em Pristina em fevereiro passado.

Esta soberania foi reconhecida por mais de 30 países, entre eles potências ocidentais como EUA, Alemanha, França e Reino Unido, mas não por Rússia, China, Índia e Brasil.

Kostunica também se voltou hoje contra o Partido Democrático (DS), seu ex-membro da coalizão no poder, que expressou sua disposição de assinar o acordo com a UE e que considera que este passo não seria um reconhecimento da independência do Kosovo.

O Governo sérvio caiu no mês passado pelos desacordos na coalizão governamental sobre as futuras relações com a UE.

Kostunica e seu DSS, antes Pró-europeus, mas que mostram agora sérias reservas para a UE, insistem em vincular o processo de integração com a questão do Kosovo.

Já o DS, do presidente sérvio, o Pró-europeu Boris Tadic, prefere separar os dois assuntos e defende que a Sérvia prossiga no caminho europeísta como a melhor forma de defender seus interesses.

A Sérvia e a UE assinaram no ano passado um acordo de associação de caráter temporário e com limites em seus conteúdos. Já a Holanda se opõe a autorizar sua ratificação, mediante a correspondente assinatura, até que o ex-líder militar servo-bósnio Ratko Mladic e outros supostos criminosos de guerra reivindicados a Belgrado não sejam capturados e entregues à Justiça internacional.

Solana disse que a posição de Kostunica pode ser contraproducente, já que poderia favorecer nas eleições sérvias de maio o Partido Radical Sérvio (SRS), que se opõe à entrega de Mladic.

Segundo as pesquisas, o SRS e o DS serão os partidos mais votados nas eleições de maio, mas é incerto qual deles poderá formar um novo Governo. EFE sn/fal

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