Kosovo fixa estabilidade como objetivo principal após independência

Artan Mustafa. Pristina, 16 fev (EFE).- Estabilidade virou palavra de ordem para o Kosovo um ano depois da polêmica proclamação unilateral de independência da província sérvia, enquanto albaneses e sérvios mantêm profundos desacordos sobre o futuro do território kosovar.

EFE |

Dirigentes albano-kosovares asseguram que, se houver conquista de estabilidade ao longo dos próximos cinco anos, a paz poderia ser consolidada no pequeno e empobrecido Estado, reconhecido até agora por 54 países - o Brasil é um dos que fazem parte desse grupo, ao contrário de Estados Unidos e de europeus como França e Alemanha.

Pieter Feith, representante especial da União Europeia (UE) no Kosovo, destaca as tensões no norte do país, onde está a principal concentração de sérvios.

No primeiro ano da independência kosovar houve apenas pequenos incidentes de violência étnica no território, embora analistas afirmem que seguem latentes estopins para mais casos de agressões.

Os sérvios seguem resistindo à independência do Kosovo e querem regulamentar sua vida política sob soberania sérvia.

Em meio a uma evidente apatia política em Pristina, não há por enquanto alternativa ao atual Governo kosovar, liderado pelo ex-guerrilheiro Hashem Thaçi.

Na verdade, só cresce o apoio ao movimento radical "Vetvendosja" ("Autodeterminação"), que exige uma unificação com a Albânia e defende que as missões da ONU e da UE saiam do Kosovo.

Mas Pristina põe a conquista de estabilidade acima de outros assuntos pendentes de resolução, como redução do desemprego, da pobreza e a luta contra a corrupção.

O próprio Thaçi assegurou à Agência Efe que "não existe nenhum risco de instabilidade no Kosovo". Acusou também a Sérvia de tratar de provocá-lo ao colocar em dúvida a integridade territorial do novo país.

Por isso, Thaçi anunciou esta semana a criação de um Conselho de Segurança Nacional, que será responsável pela redação de um plano estratégico no setor.

Parte dessa estratégia envolve a Força de Segurança do Kosovo, o primeiro Exército autóctone do autoproclamado Estado. O órgão foi criado este ano e contará com cerca de 2.500 soldados.

Além disso, o Governo planeja uma grande reforma no sistema judiciário, com apoio de dois mil especialistas da missão civil da UE (Eulex).

Enquanto isso, o movimento opositor Aliança para o Futuro do Kosovo (AAK) afirma que a estabilidade é uma farsa e critica o Governo de Thaçi por não ter conseguido impor autoridade na região norte.

Depois da guerra do Kosovo em 1999, se estabeleceu na então província sérvia uma espécie de "aristocracia ilegal", baseada no contrabando e na corrupção.

Faith pediu esta semana ao Governo kosovar que se esforce mais na luta contra a corrupção e o crime organizado.

De fato, a situação socioeconômica do Kosovo continua sendo desoladora, com uma taxa de desemprego superior a 45% e uma forte dependência de remessas de dinheiro de kosovares no exterior.

No mercado de trabalho, no ano passado várias greves paralisaram o território. Nesse processo, chamaram atenção as de agentes da Polícia, funcionários da Justiça e do sistema sanitário, e também as de professores.

Thaçi refuta as acusações que dão conta de inoperância e destaca que seu Executivo construiu 600 quilômetros de estradas e melhorou a infraestrutura do sistema de ensino.

Mas os avanços não vão além, já que a situação segue precária com relação a emprego, abastecimento energético e cobrança de impostos.

O aposentado Rrustem Shaipi, de 67 anos, revelou à Efe em Pristina que segue em condições difíceis de subsistência, com uma pensão que não chega a 45 euros mensais.

"Isso não permite nem a compra de remédios", lamentou. EFE am/fr

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