Kosovo e insultos entre ex-aliados marcam campanha eleitoral sérvia

Snezana Stanojevic Belgrado, 10 mai (EFE).- A campanha política para as eleições legislativas deste domingo na Sérvia teve como temas principais a autoproclamada independência do Kosovo, a aproximação de Belgrado da União Européia (UE) e os insultos proferidos entre legendas reformistas, até agora aliadas na coalizão do Governo.

EFE |

"Não foi a oposição que causou a queda do Governo, mas os desacordos substanciais em seu âmbito interno sobre o Kosovo e a UE", disse o primeiro-ministro, Vojislav Kostunica, ao explicar os motivos que o levaram a criticar na campanha apenas seus ex-aliados - liderados pelo presidente sérvio, o pró-europeu Boris Tadic.

Embora praticamente todos os partidos tenham assegurado que nunca reconhecerão a independência do Kosovo, diferem em suas posições sobre a forma de "recuperar" o território que os sérvios consideram sua "terra sagrada".

As acusações contra Tadic ganharam força sobretudo após a assinatura do Acordo de Estabilização e Associação (SAA, na sigla em inglês) com a UE, em 29 de abril último. O pacto com o bloco continental representa, segundo Kostunica e seu Partido Democrático da Sérvia (DSS), um reconhecimento tácito da independência do Kosovo.

Tadic foi acusado de promover "atos anticonstitucionais", de "ter mentido ao jurar o cargo (de presidente)" e de ser "cúmplice nas tentativas de fragmentação do Estado".

As críticas vieram sobretudo de Velimir Ilic, aliado de Kostunica e líder do partido Nova Sérvia (NS). Ilic é uma figura pitoresca, propensa a disparar insultos e blasfêmias contra seus adversários.

Nos comícios, encorajado por gritos de aprovação, Ilic classificou Tadic como "traidor", "Judas" e "sem-vergonha".

"Com objetivos eleitorais foram estabelecidas novamente ameaças e acusações de traição, patriotismo e não patriotismo. Novamente a Sérvia fica em meio ao clima dos anos 1990. Isso é vergonhoso, e, o que é mais importante, é contraproducente e prejudicial para a Sérvia e seus cidadãos", analisou Tadic.

O presidente, que preferiu promover uma campanha "positiva", de palavras medidas e de otimismo, prometeu em todas as regiões do país firmeza para "recuperar" o Kosovo e fortalecer a Sérvia.

Condenou o "isolamento" dos nacionalistas e defendeu uma maior integração, para atrair novos investimentos e avanços na economia.

"A Europa supõe a abertura de 200 mil novos postos de trabalho" e "O trabalho não pode esperar" eram slogans presentes em alguns dos cartazes da "Coalizão por uma Sérvia européia", lista que reúne legendas em torno do Partido Democrático (DS), de Tadic.

"Apóie a Sérvia", responde Kostunica em seus materiais de campanha, com habitual expressão de seriedade e preocupação.

Enquanto dura a guerra verbal entre os até agora "companheiros reformistas", o Partido Radical Sérvio (SRS), ex-aliado do ex-líder autoritário Slobodan Milosevic, tenta impor-se como legenda de patriotismo indubitável e o defensor mais insistente com relação ao Kosovo.

Pesquisas apontam que o SRS e o DS serão as duas legendas mais votadas amanhã, mas que nenhuma obterá maioria absoluta. Dos outros 20 partidos que participarão das eleições, entrariam ainda no Parlamento o DSS de Kostunica e várias outras legendas menores.

O SRS, grande crítico do Ocidente, defendeu em seus comícios reforço na cooperação política e econômica com russos, eslavos e ortodoxos, que mais ajudam Belgrado na preservação do Kosovo sob domínio sérvio.

Também pedem laços mais estreitos com China, Índia e "outros países que não fazem chantagem com a Sérvia".

O SRS tenta capitalizar o descontentamento dos cidadãos pelos poucos efeitos da transição vivida pela economia no bolso dos cidadãos comuns, se apresenta como defensor dos pobres e dos aposentados, e como grande ícone na luta contra a corrupção.

"Pátria antes de tudo", "Kosovo é o coração da Sérvia" e "Adiante, Sérvia" são alguns dos lemas presentes em cartazes do SRS.

O pleito deste domingo é o terceiro a ser realizado na Sérvia em pouco mais de um ano. EFE Sn-jk/fr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG