PRISTINA - A concessão do prêmio Nobel da Paz 2008 ao ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari também é um triunfo do Kosovo, afirmou hoje o presidente kosovar Fatmir Sejdiu, referindo-se à atuação do finlandês como enviado da ONU no processo que culminou com sua declaração de independência da Sérvia.

Fatmir Sejdiu comemorou a decisão, dizendo que "este homem fez muito pela paz e estabilidade no mundo, e a questão do Kosovo é uma parte importante deste prêmio".

Por sua vez, o ex-primeiro-ministro sérvio Vojislav Kostunica declarou que a concessão do Nobel a Ahtisaari é uma amostra que "os mentores desse Estado falso exercerão pressões em todos os campos".

O nome de Ahtisaari figurava entre os principais candidatos ao prêmio há anos por seus "importantes esforços, em vários continentes e durante mais de três décadas, para resolver conflitos internacionais", disse a comissão julgadora do Nobel.

Sua última grande incumbência diplomático foi a mediação para solucionar o status legal do Kosovo como enviado especial da ONU e seu legado se vê na própria Constituição, que tomou como base o chamado "plano Ahtisaari".

Durante dois anos, Ahtisaari intermediou entre Pristina e Belgrado um esforço que não resultou em nenhuma aproximação entre as partes, defendendo a independência como única saída a Pristina, enquanto Belgrado oferecia uma ampla autonomia ao território.

Em março de 2007, ele propôs um plano de paz, que incluía uma proposta de "soberania limitada" para o Kosovo e generosas garantias às minorias do território.

No entanto, o plano foi rejeitado pela Rússia, aliada da Sérvia, no Conselho de Segurança.

A Constitução kosovar entrou em vigor em junho deste ano com competências próprias de um Estado, embora mantenha em mãos da comunidade internacional o controle de importantes áreas, como Polícia, Justiça e Alfândega.

Até o momento, 50 Estados reconheceram a independência do Kosovo, os dois mais recentes seus vizinhos, Montenegro e Macedônia, ambos ex-territórios da finada Iugoslávia.

O apoio destes dois países casou grande mal estar a Belgrado, especialmente em relação a Montenegro, que até 2006 ainda formava com a Sérvia um único país.

O mal estar se reflete na declaração de Kostunica, para quem "Ahtisaari é o único mediador internacional cujo plano não foi aprovado no Conselho de Segurança da ONU" e a decisão de premiá-lo é "coisa de politiqueiros".

"Por isso, a Sérvia tem que lutar pelo Kosovo com ainda mais firmeza e intensidade, porque, como vemos, os principais advogados do falso Estado do Kosovo vão realizando com persistência sua intenção", acrescentou.

A Sérvia vê como violação do direito internacional a declaração unilateral de independência do Kosovo e conseguiu aprovar, anteontem na Assembléia Geral da ONU, uma consulta à Corte Internacional de Justiça (CIJ).

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