Kosovo comemora 1º aniversário da independência autoproclamada

Kosovo celebra nesta terça-feira o primeiro aniversário de sua autoproclamada independência com pedidos para que a população comemore a data pacificamente.

AFP |

"Pedimos aos cidadãos uma celebração solene e naturalmente pacífica", declarou o vice-primeiro-ministro kosovar, Rame Manaj.

Dividido entre o desejo de celebrar e as dificuldades de construir um Estado viável, o governo de Pristina organizou comemorações discretas, que incluem uma sessão especial de seu Parlamento.


Ponte é enfeitada com bandeiras do país / AP

Por ocasião da data, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu o apoio de Washington a um Kosovo "multiétnico, independente e democrático" em uma mensagem de felicitações.

"Os Estados Unidos seguirão apoiando um Kosovo multiétnico, independente e democrático em seus esforços para ter todo o espaço que merece enquanto membro pleno da comunidade de Estados", escreveu Obama na mensagem destinada ao presidente kosovar, Fatmir Sejdiu, e divulgada pelo governo de Pristina.

A Grã-Bretanha também saudou os "enormes progressos" alcançados no Kosovo desde que a ex-província sérvia declarou sua independência, procurando, ao mesmo tempo, tranqüilizar Belgrado quanto à situação da minoria sérvia que vive em território kosovar.

O ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband, expressou o apoio de Londres ao desejo do Kosovo e de outros países da região dos Bálcãs de se integrar à União Européia.

"A declaração da independência do Kosovo, há um ano, abriu um novo capítulo de sua história", declarou Miliband em um comunicado. "No ano que passou, houve enormes progressos. Os dirigentes kosovares construíram instituições democráticas duráveis."

Desafios

Um ano após a independência do Kosovo, o desenvolvimento econômico e a oposição dos sérvios à nova realidade são ainda os principais desafios para as autoridades de Pristina, sua capital.

O Kosovo representa ainda o primeiro risco de instabilidade na Europa em 2009, segundo o relatório anual sobre a segurança, apresentado na quinta-feira passada ao Congresso dos Estados Unidos, pelo diretor da Inteligência americana, Dennis Blair.

Isso, "apesar da evolução positiva no ano passado, principalmente a declaração de independência pacífica do Kosovo, a eleição de dirigentes pró-UE na Sérvia e as propostas de adesão à Otan apresentadas à Croácia e à Albânia", diz o informe.

"Os principais desafios à estabilidade virão do estatuto político ainda indefinido da minoria sérvia do Kosovo, principalmente no norte, e o prosseguimento de uma coexistência interétnica difícil na Bósnia-Herzegovina", precisou.

Território disputado

O Kosovo é um território disputado na península balcânica que corresponderia, mais ou menos, à região conhecida como Dardânia na Antiguidade. Fez parte dos impérios Romano, Bizantino, Búlgaro, Sérvio e Otomano e, no século 20, passou às mãos do Reino da Sérvia, do Império Italiano e da Iugoslávia.

Após a falha das negociações internacionais para atingir um consenso sobre o estado constititucional aceitável, o governo provisório de Kosovo declarou-se unilateralmente um país independente da Sérvia em 17 de fevereiro de 2008 , no último capítulo do sangrento desmembramento da ex-Iugoslávia.

No momento, essa independência foi reconhecida por 54 países, incluindo os Estados Unidos, Japão e 22 dos 27 membros da União Europeia. O fato não foi reconhecido pelo governo brasileiro.

A Sérvia, que se opõe com veemência a esta separação, conta com o apoio de países como a China, Índia e Rússia.

A maior parte da população do Kosovo é de origem albanesa. Existe uma minoria sérvia que representa aproximadamente 5% da população kosovar.

O presidente da nova república é Fatmir Sejdiu, do partido LDK (Lidhja Demokratike e Kosovës, "Liga Democrática do Kosovo"). O primeiro-ministro é Hashim Thaçi.

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