Kofi Annan diz que crise não pode parar luta contra a fome

Dublin, 16 out (EFE).- O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan disse hoje que a crise financeira mundial não deve ser usada como desculpa para cruzar os braços diante da crise alimentícia que, segundo ele, castiga os países subdesenvolvidos.

EFE |

"É importante que lembremos os políticos de que a crise de alimentos e a fome são reais e que devemos abordá-las com a mesma urgência com a qual estamos tratando a econômica", afirmou Annan durante uma conferência realizada hoje em Dublin, coincidindo com o Dia Mundial da Alimentação.

O ativista, agora presidente da Aliança para uma Revolução Verde na África, afirmouque a escassez de alimentos se acentuou com a queda dos mercados financeiros e pediu às nações ricas que não permitam que a situação piore.

"Neste contexto, o pobre é o primeiro que sofre", disse Annan, afirmando que 1 bilhão de pessoas passam fome e cerca de 10 mil crianças morrem a cada dia no mundo por culpa da desnutrição.

"Ao mesmo tempo que os Governos nacionais e as pessoas que fazem empréstimos internacionais se apressam em injetar centenas de bilhões de euros em bancos fracassados, o mundo subdesenvolvido passa fome. Embora os altos e baixos da economia sejam cíclicos, a fome na África Subsaariana não é", ressaltou.

Na sua opinião, qualquer progresso na luta contra a fome e a pobreza no continente depende da vontade dos Governos para transformar este assunto em prioridade.

"A crise financeira não pode ser uma desculpa para a passividade.

Devemos nos manter firmes. Podemos acabar com a fome e a pobreza", concluiu Annan. EFE ja/fh/jp

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