Genebra, 30 mar (EFE).- O ex-secretário-geral da ONU e mediador do conflito no ano passado no Quênia, Kofi Annan, lamentou hoje a lentidão das reformas no país.

Annan expressou satisfação com o acordo alcançado há um ano em Nairóbi, segundo o qual o poder no Quênia será compartilhado entre o presidente queniano, Mwai Kibaki, e o primeiro-ministro, Raila Odinga, pois com o pacto "se evitou uma escalada da violência interétnica".

"Ao agir depressa, a comunidade internacional conseguiu evitar uma catástrofe e acabar com dois meses de violência", disse o ex-secretário-geral da ONU em seu discurso durante um ato organizado por sua fundação para avaliar o acordo de paz do Quênia.

No entanto, Annan considera que, desde então, houve poucos avanços.

Ele afirmou que "a população está irritada com as divergências dentro do Governo, pela incapacidade de estabelecer um tribunal especial para castigar os autores da violência, a impunidade, a insegurança e a corrupção".

"É importante enviar a mensagem de que não haverá impunidade para os responsáveis dos crimes", acrescentou Annan, que advertiu de que, caso não haja resultados nos próximos dois meses, o assunto poderá ser levado ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

Para ele, "ainda falta fazer a maior parte do trabalho. É hora de agir".

Segundo a ONG South Consulting, as condições sociopolíticas que promoveram a criação dos grupos armados ilegais não mudaram, e, por isso, estes podem reaparecer facilmente. EFE mh/db

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