Klaus propõe Governo de consenso para tirar R.Tcheca da crise

Praga, 26 mar (EFE).- O presidente da República Tcheca, Vaclav Klaus, aceitou hoje, em Praga, a renúncia do Governo de centro-direita liderado por Mirek Topolanek, a quem propôs um grande pacto com os socialdemocratas até a realização das próximas eleições.

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A solução, no entanto, foi considerada inaceitável por Topolanek, segundo a imprensa.

De acordo com vários analistas, Klaus, que resiste à integração do país à União Europeia (UE) e é declaradamente contra o Tratado de Lisboa, talvez favoreça a formação de um Governo de consenso que pelo menos bloqueie a ratificação do texto constitucional europeu até as próximas eleições legislativas, previstas para junho de 2010.

Nesta quinta, Topolanek foi ao Castelo de Praga, sede da Presidência, para entregar sua renúncia e a de seus 16 ministros, embora vá continuar governando o país até a formação de um novo Executivo.

No encontro com Klaus, este disse ao premiê, agora interino, que, caso queira formar um novo Governo, "a solução deve ser rápida, já que isto é exigido pela complicada situação econômica e pelo fato de a República Tcheca estar à frente da Presidência semestral da UE, que deve ser desempenhada "por um Executivo plenamente legítimo".

"Se alguém for capaz de me trazer 101 assinaturas que possibilitem um Governo, darei uma oportunidade a esta pessoa", disse o presidente.

O carismático Klaus, pai das reformas econômicas dos anos 90, acrescentou que "é inaceitável uma situação provisória até o fim da Presidência" da UE, o que os socialdemocratas estariam dispostos a aceitar com a tolerância do atual Executivo interino.

O presidente do Partido Socialdemocrata (CSSD), Jiri Paroubek, defendeu hoje a permanência do atual Governo até o fim de seu mandato à frente da UE, e, ao mesmo tempo, a nomeação de uma equipe de tecnocratas para assumir o Governo até os pleitos do segundo semestre.

A proposta de Klaus, no entanto, tem como objetivo deter essa solução interina, já que busca um grande pacto com os socialdemocratas, o que foi rejeitado por Topolanek.

"A única saída para esta situação é a convocação de eleições antecipadas", disse o premiê, da ala mais aberta à UE dentro do Partido Cívico Democrático (ODS).

As últimas pesquisas conferem uma vantagem de aproximadamente quatro pontos percentuais para os socialdemocratas sobre os conservadores do ODS.

Esta situação, que se vê agravada pela delicada conjuntura econômica, mantém em suspense os sócios da UE, que criticam a República Tcheca por não terem assinado ainda o Tratado de Lisboa.

O ODS, majoritário na câmara alta com 40,7% das cadeiras, planeja adiar a votação do documento até julho. Essa proposta surgiu numa reunião da bancada conservadora realizada ontem, na qual os contrários ao texto foram superiores em número aos do ala mais inclinada à ratificação do texto.

Nas últimas horas, Topolanek demonstrou ter ficado decepcionado com a queda de seu Governo. Em declarações, fez duras críticas a alguns de seus correligionários, como o prefeito de Praga, Pavel Bem, o deputado Vlastimil Tlusty e o presidente tcheco. EFE gm/sc

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