Kissinger não impediu assassinatos em Operação Condor, revelam documentos

Washington, 10 abr (EFE).- O ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger cancelou em setembro de 1976 as ordens para que os embaixadores dos Estados Unidos nos países do Cone Sul advertissem os líderes militares contra uma série de assassinatos internacionais.

EFE |

Documentos divulgados hoje pela ONG americana The National Security Archive mostram que Kissinger deu essa ordem em 16 de setembro de 1976.

Cinco dias mais tarde um atentado com um carro-bomba em Washington matou o ex-chanceler chileno e posterior opositor Orlando Letelier e sua secretária, a americana Ronni Karpen Moffitt, quando passavam pela Avenida Massachusetts, em Washington.

The National Security Archive assinalou em comunicado em seu site que esse atentado continua sendo o ato mais "infame" dos aliados na Operação Condor, aliança político-militar formada nos anos 1970 pelos serviços de inteligência militares de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia.

O objetivo da operação era localizar e assassinar os opositores aos regimes militares daqueles países.

O secretário "instruiu que não fossem empreendidas ações adicionais sobre esse assunto", assinala um telegrama enviado em 16 de setembro de 1976 de Lusaka (capital da Zâmbia), onde Kissinger então se encontrava.

As instruções destinadas ao então secretário de Estado para Assuntos Interamericanos, Harry Shlaudeman, puseram fim a uma ordem dada pelo próprio Kissinger três semanas antes.

A ordem inicial era que altos funcionários do Departamento de Estado americano transmitissem aos chefes de Estado de Chile, Argentina e Uruguai sua "profunda preocupação" com os "planos de assassinato de elementos subversivos, políticos e figuras de destaque dentro de alguns países do Cone Sul e no exterior".

Essa mensagem nunca chegou a ser entregue.

"O telegrama do dia 16 é a peça que faltava do quebra-cabeça histórico sobre o papel de Kissinger na ação e a falta de ação do Governo americano após ter conhecimento sobre os planos de assassinato" da Operação Condor, afirmou em comunicado Peter Kornbluh, analista da ONG.

Kornbluch é autor do livro "The Pinochet File: A Declassified Dossier on Atrocity and Accountability". Ele assinala que os novos documentos permitem finalmente saber o que ocorreu.

"O Departamento de Estado iniciou um esforço oportuno para frustrar a campanha de assassinatos no Cone Sul e Kissinger, sem dar explicações, a abortou".

Em sua opinião, a decisão de Kissinger de cancelar a advertência às nações da Operação Condor impediu que se enviasse uma mensagem diplomática de protesto que poderia ter dissuadido um ato de terrorismo na capital americana. EFE tb/sa

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