Kirchner recua e envia ao Congresso imposto sobre exportações

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta terça-feira, em rede nacional de TV, que enviará ao Congresso um projeto de lei para debater os impostos escalonados sobre as exportações de grãos, foco da atual crise envolvendo governo e agricultores.

AFP |

"Quero dar à decisão que tomei mais conteúdo democrático. Assim, vou enviar ao Parlamento um projeto de lei sobre a medida", disse Kirchner.

A análise da medida pelo Congresso era uma das quatro exigências das entidades que reúnem os produtores agropecuários, e representa um recuo por parte do governo.

"A democracia se defende com mais democracia, e as instituições se defendem com mais instituições. Vou enviar ao Parlamento um projeto de lei...", destacou a presidente.

No Parlamento, governo peronista controla as duas câmaras.

"Quero destacar que sempre estivemos dispostos ao diálogo, mas o diálogo não permite que se cortem estradas ou detenham a vida dos argentinos".

A presidente reafirmou sua denúncia de que por trás dos protestos há setores que pretendem desestabilizar o governo: "Os cidadãos que não concordam podem recorrer à Justiça, mas se querem mudar o modelo do país, devem organizar um partido, disputar eleições e vencer".

Cristina pediu a "todos os argentinos" que ocupem a Praça de Maio nesta quarta-feira, no ato pela democracia convocado pelo Partido Justicialista (peronistas), presidido pelo ex-presidente Néstor Kirchner.

A decisão de enviar o projeto ao Congresso foi saudada de imediato por senadores da oposição: "É bem-vinda, ainda que tarde e com todos os custos. Finalmente se deram conta", disse Ernesto Sanz, senador da União Cívica Radical.

A oposição defendeu que durante a análise da medida seja suspensa a aplicação do imposto escalonado sobre as exportações de grãos.

Dezenas de estradas permaneciam bloqueadas na noite de hoje por milhares de agricultores, a espera da decisão de seus dirigentes, que analisavam a decisão do governo.

Os agricultores tinham convocado para amanhã uma jornada nacional de protesto contra a política agropecuária do governo.

O anúncio de Cristina foi precedido hoje por uma entrevista coletiva do ex-presidente Néstor Kirchner, que acusou os agricultores de extorsão.

"Convoco todos os argentinos amanhã (quarta-feira) para um ato na Praça de Maio em defesa do sistema e das práticas democráticas", disse Néstor Kirchner, em nome do Partido Justicialista.

Cercado por vários dirigentes peronistas, Néstor Kirchner garantiu que "o país e o modelo estão intactos, o país está sólido", e pediu à imprensa que "não se preste a desestabilização política".

O ex-presidente acusou ainda "os setores ligados à repressão (durante a ditadura militar) de dar apoio logístico" aos bloqueios de estradas.

A queda-de-braço entre governo e agricultores foi deflagrada pela aplicação de impostos escalonados sobre as exportações de grãos, especialmente a soja.

ls/LR

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