Kirchner reconhece derrota e minimiza impacto na Argentina

BUENOS AIRES - O ex-presidente Néstor Kirchner reconheceu nesta segunda-feira sua derrota frente ao opositor Francisco de Narváez em Buenos Aires, mas minimizou o impacto do revés generalizado sofrido pelo governo.

Redação com agências internacionais |

"Perdemos por muito pouquinho, lutamos com toda dignidade em Buenos Aires", disse o ex-presidente, que evitou fazer uma avaliação sobre a derrota generalizada do governo nos principais distritos do país e a perda da maioria parlamentar e se limitou a comentar que responde ao jogo democrático.

"Com o quadro nacional que temos ficará a responsabilidade de dar aos argentinos a tranquilidade e serenidade que precisam", afirmou Kirchner.

Vitória de Narváez

Mais cedo, Francisco de Narváez e o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, se declararam vencedores do pleito legislativo e pediram ao governo diálogo e conciliação.

O candidato da aliança União-PRO considerou que seu triunfo na província de Buenos Aires, tradicional reduto peronista, "virou a página da história". "Dissemos que um dia íamos mudar a história. Este é o dia", destacou De Narváez ao falar no escritório da coalizão conservadora.


Francisco de Narvaez comemora a vitória na Argentina / AP

O empresário, nascido na Colômbia e naturalizado argentino, sustentou também que a força de União-PRO derrotou "a velha e a má política" e ressaltou que a escolha "está definida".

O prefeito da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri, chamou ao diálogo e à conciliação e acredita que a presidente argentina, Cristina Fernández, esposa e sucessora de Kirchner, "escute" a voz da cidadania.

"A nossa presidente com todo respeito quero dizer que espero que tenha escutado a mensagem dos argentinos e que convoque a pacificação dos argentinos", disse o conservador Macri, enquanto militantes gritavam "Mauricio presidente".

O prefeito considerou que "chegou a hora de brigar menos e fazer mais" e afirmou que os argentinos "não querem voltar à década de 90 nem a estes últimos sete anos de maus-tratos".

"Os eleitores disseram sim à democracia, ao respeito e sim à mudança. Com toda clareza, mas com respeito; uma mensagem absolutamente clara que diz basta à prepotência, ao confronto desnecessário", assegurou Macri.

O prefeito aproveitou também a oportunidade para convocar governadores e intendentes de distintas forças para "que se somem a trabalhar", quando faltam dois anos para as próximas eleições gerais.

Na mesma linha, De Narváez prometeu "trabalhar para fazer cair os preços, para gerar o primeiro emprego, para que cada uma das famílias em condição de pobreza receba do Estado a cobertura que necessita, para defender o capital nacional e para que cada delito tenha castigo".

Derrota do governo

Os candidatos do governo caíram nos cinco principais distritos do país por população e poder econômico: a província e a cidade de Buenos Aires, Córdoba, Santa Fé e Mendoza.

O Acordo Cívico e Social, uma força de centro, converteu-se no maior agrupamento opositor não-peronista e terá o maior bloco de deputados a nível nacional.

Carlos Reutermann, um ex-piloto de Fórmula 1 que desafiou o candidato governista em Santa Fé, foi outro dos vencedores do dia e aparece no horizonte como presidenciável pelo peronismo, já que a liderança dos Kirchner ficou muito debilitada.

Quase 28 milhões de argentinos estiveram habilitados a votar nas eleições que renovaram a metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado.

As projeções indicavam um retrocesso governista de até 18 cadeiras na Câmara baixa e a perda de quatro cadeiras no Senado, o que faria desaparecer as maiorias com as quais até o momento contava o governo em ambas as casas para aprovar seus projetos.

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