Kirchner promete insistir na redistribuição de renda

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse neste sábado que apesar da derrota do governo no recente conflito com o setor agrário, não se arrepende de ter promovido uma elevação de impostos com o propósito de redistribuir a riqueza no país.

AFP |

"Voltaria a fazê-lo. Porque pela primeira vez desde o advento da democracia (em 1983), as instituições se dispuseram a discutir seriamente, com a possibilidade de ser sancionada, uma lei que previa a redistribuição de renda" na Argentina, destacou Kirchner em entrevista coletiva.

A presidente opinou que "ter instalado o debate sobre como distribuir a renda excepcional na Argentina" foi algo de importância comparável à anulação das leis de anistia para os crimes cometidos durante a ditadura, promovida pelo governo precedente.

Kirchner disse que o debate sobre a distribuição de renda vai prosseguir.

"O problema da concentração da riqueza em um mundo cada vez mais complicado em matéria de alimentos e de energia vai exigir desta presidente, e do que vier depois, ação".

Cristina Kirchner afirmou que a taxação sobre exportações "é um instrumento de política econômica para preservar o direito alimentar dos cidadãos".

"Este é um país exportador de alimentos. Com a modificação dos termos do intercâmbio comercial, começa a pressão sobre os preços internos, porque querem ter o maior excedente exportável possível".

A presidente admitiu que teve "certo grau de ingenuidade diante da reação de setores muito poderosos, ameaçados em seus privilégios".

"Quando alguém vê o filme completo (todo o conflito), observa que os que saíram ganhando (com a queda do projeto de taxação) foram os exportadores, os setores mais concentrados da economia".

O projeto do governo para aplicar impostos progressivos sobre as exportações de grãos foi barrado no Senado argentino, ao final de três meses de conflito agrário.

rpl/LR

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