Kirchner cria Bolsa Família para a Argentina

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta quinta-feira a distribuição de 180 pesos (cerca de R$ 90) para as crianças e adolescentes de até dezoito anos, filhos de pais desempregados ou que estejam na economia informal e não ganhem o suficiente para suas necessidades básicas.

BBC Brasil |

O programa tem traços com o Bolsa Família brasileiro, já que exige a frequência na escola, além de comprovante de vacinação das doenças comuns no país para aqueles que têm até quatro anos.

"Eu estaria mentindo se falasse que com essa ajuda estamos acabando com a pobreza na Argentina. Mas esta é uma forma de socorrer aos mais carentes", afirmou a presidente, em rede nacional de rádio e de televisão.

Cristina destacou ainda que o "trabalho é o único instrumento" capaz de melhorar a vida das pessoas. Segundo ela, para isso o governo vai continuar "trabalhando" para que sejam geradas mais atividade industrial e comércio no país.

Fundos de pensão

A presidente informou que o programa custará 9,9 bilhões de pesos e que estes recursos serão provenientes da Anses (Administradora Nacional de Segurança Social).

Recentemente, a Anses incorporou os fundos privados de pensão e de aposentadorias, estatizados no governo de Cristina. "Se tivéssemos deixado estes recursos nas empresas privadas de aposentadorias e pensões, eles seriam para pagar comissões ou outras coisas e não para distribuir para os trabalhadores", afirmou.

O programa prevê, destacou a presidente, que 80% dos 180 pesos sejam depositados mensalmente para os beneficiados. Os 20% restantes só serão pagos no ano seguinte a partir da comprovação de que os alunos atenderam as exigências de comparecimento à escola e vacinação. "Esse é um programa inovador no mundo inteiro", disse a ministra de Ação Social, Alícia Kirchner, cunhada da presidente.

O ministro da Economia, Amado Boudou, afirmou que a medida entra em vigor no dia primeiro de novembro. Cristina assinou o equivalente a uma medida provisória no Brasil, chamado decreto de necessidade e urgência. Por isso, o texto será enviado ao Congresso, mesmo depois de passar a vigorar.

O anúncio foi feito num momento em que setores da oposição e da Igreja Católica, além de especialistas, criticam o governo pelo aumento da pobreza e pela suposta manipulação de dados oficiais que comprovariam essa realidade.

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