Kirchner convoca ato de apoio a Cristina Fernández na Argentina

Buenos Aires, 17 jun (EFE).- O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner voltou a acusar hoje de extorsão as entidades agropecuárias em conflito com o Governo, e ratificou a convocação de um ato para amanhã em apoio à presidente Cristina Fernández, e em defesa do sistema democrático.

EFE |

Em sua condição de líder do governante Partido Justicialista (peronista), Kirchner advertiu que "há uma tentativa midiática de desgastar sua esposa".

"É bárbaro que na Argentina nasça uma nova direita, mas não a velha direita golpista e desestabilizadora que insiste com as velhas práticas", assegurou o ex-chefe de Estado.

Kirchner ratificou a convocação de um comício em apoio a Cristina Fernández, que será realizado na quarta-feira, na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada.

O ato coincidirá com uma jornada nacional de protesto organizada pelas entidades agropecuárias, que rejeitam o esquema de impostos móveis sobre as retenções de grãos implementadas pelo Governo em março.

Kirchner ressaltou que "não se trata de um ato contra ninguém, mas em defesa da democracia", e rejeitou os rumores que circularam nas últimas horas sobre supostas divergências internas no Governo pelas vozes de intendentes (prefeitos) e governadores que teriam pedido o cancelamento do evento.

"Não há um só dirigente que me tenha ligado para suspender o ato", afirmou.

O ex-presidente acusou as entidades rurais de terem "atitudes autoritárias e antidemocráticas", além de sustentar que "os meios de comunicação estão trabalhando coordenadamente para apoiar" os protestos do setor.

Segunda-feira à noite milhares de argentinos realizaram "panelaços" nas cidades mais povoadas do país, onde se escutaram palavras de ordem contrárias ao Governo e pedidos para que se encerre o conflito agrário, que provocou desabastecimento de produtos básicos.

Kirchner também defendeu o esquema de impostos sobre as exportações de alimentos, ao assinalar que é uma medida que "tende a fortalecer a distribuição da riqueza e a evitar que na mesa dos argentinos haja produtos alimentícios a valor internacional".

Segundo sua opinião, "setores ligados à repressão" da última ditadura militar (1976-1983) "estão dando logística" aos protestos do setor agropecuário porque "não perdoam que haja memória, verdade e justiça". EFE hd/gs

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