'Kirchner conseguiu tirar a Argentina do buraco', diz Lula

Presidente cancela agenda para ir ao velório do ex-governante argentino

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou agenda em Pernambuco prevista para esta quinta-feira (28) para viajar a Argentina e participar do velório do ex-presidente Néstor Kirchner. "É um companheiro por quem tenho um profundo respeito e que conseguiu tirar a Argentina do buraco em que se encontrava", disse Lula.

Após participar da solenidade de inauguração do sistema de produção definitivo de Tupi, a 300 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, Lula seguiu para Buenos Aires. O presidente iria amanhã para a Argentina, mas a viagem foi antecipada depois que ele soube que a presidente Cristina Kirchner, viúva do falecido, levaria ainda hoje o corpo de Néstor para sua terra natal, para enterrá-lo.

O velório do ex-presidente argentino teve início às 10h (11h, horário de Brasília) e está sendo realizado na Casa Rosada , sede do governo. Essa é a primeira vez que o velório de um ex-presidente é realizado no local. Antes de Kirchner, os funerais de líderes eram feitos no Congresso Nacional.

Trajetória

Néstor Kirchner morreu na quarta-feira (27) após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Ele e sua mulher estavam desde o fim de semana em El Calafate. O ex-presidente teve de ser internado às pressas no hospital na cidade. Com problemas cardíacos, Kirchner já havia sido submetido a duas cirurgias de urgência neste ano, em fevereiro e setembro, após serem detectadas obstruções em artérias coronárias.

Kirchner foi presidente da Argentina entre 2003 e 2007. Atualmente, era secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Ele começou sua vida política em 1987, quando foi eleito prefeito da cidade de Río Gallegos, na Provícia de Santa Cruz. Ele conheceu a esposa, Cristina, durante a juventude e em 1975 os dois se casaram. O casal tem dois filhos, de 34 e 21 anos.

Enquanto Cristina já seguia carreira política em Buenos Aires, Kirchner foi eleito prefeito de Río Gallegos e depois, em 1991, foi eleito governador de Santa Cruz. Ele governou a província até 2003, após duas reeleições consecutivas, e foi esse cargo que impulsionou sua candidatura à presidência no mesmo ano.

Eleito presidente em 2003, Néstor Kirchner desistiu de concorrer à reeleição em 2007, apesar de estar em fim de mandato com uma popularidade de 50% - o mais alto nível de aceitação desde a restauração democrática, em 1983. Na época, analistas políticos especulavam que ele havia favorecido Cristina Kirchner, que então ocupava uma cadeira no Senado, com a perspectiva de voltar ao poder em 2011 e garantir ao clã pelo menos 12 anos consecutivos no poder.

Mas as chances de o plano dar certo diminuíram com a queda da popularidade de Cristina, que se elegeu em 2007 com a maioria de votos em todas as regiões da Argentina, com exceção de Buenos Aires, a área mais rica e populosa do país.

Os bons índices de popularidade do início do mandato caíram pelas denúncias de corrupção contra o casal, pela incapacidade de controlar a inflação e pela tentativa de cobrar um imposto agrícola que desatou um conflito de meses com os ruralistas em 2008. Como é considerada marionete do marido, os desacertos do governo Cristina acabaram manchando a reputação de Kirchner.

Veja imagens das homenagens a Néstor Kirchner em Buenos Aires:

*com informações de Leandro Meireles, iG São Paulo

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