Kim Jong-un é nomeado comandante do Exército da Coreia do Norte

Nomeação acontece três dias depois de Kim Jong-un ser proclamado 'líder supremo' do país durante o funeral de seu pai

iG São Paulo |

AP
Selo mostra Kim Jong-il (D), morto em 17 de dezembro, ao lado de seu sucessor, Kim Jonn-un. No topo, lê-se: 'O grande líder camarada Kim Jong-il estará sempre conosco'
A Coreia do Norte anunciou neste sábado que seu novo líder, Kim Jong-un , foi nomeado oficialmente como "comandante supremo" do Exército do país, o quarto maior do mundo em número de soldados, com cerca de 1,1 milhão de membros.

A decisão, que afiança o jovem e inexperiente sucessor na liderança política e militar do hermético regime totalitário após a morte de Kim Jong-il , aos 69 anos, em 17 de dezembro de ataque cardíaco , segundo a versão oficial, foi tomada numa reunião realizada no Departamento Político do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte.

"O querido e respeitado Kim Jong-un, vice-presidente da Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores, assume o Comando Supremo do Exército Popular da Coreia do Norte de acordo com o pedido do líder Kim Jong-il em 8 de outubro", de acordo com a declaração da agência de notícias estatal KCNA.

A nomeação ocorre três dias depois de Kim Jong-un ser proclamado "líder supremo" do país durante o funeral de seu pai, que foi acompanhado por milhares de civis e militares em Pyongyang e pôs fim a 13 dias de luto pelo Querido Líder, que governou o país durante 17 anos.

Sucessão: Coreia do Norte proclama Kim Jong-un como novo líder

Apesar de o comunicado deste sábado ser a primeira confirmação oficial de que Kim controlará as Forças Armadas, relatos anteriores sugerem que ele já estava à frente da instituição quando seu pai ainda estava vivo.

Os primeiros passos do herdeiro, que tem ainda menos de 30 anos, são seguidas cuidadosamente. Com posse de armas nucleares, a Coreia do Norte é uma questão importante para a diplomacia regional da China, seu único aliado de peso, e para os EUA.

Apesar dos apelos ocidentais para que a Coreia do Norte siga o exemplo de Mianmar e faça reformas políticas e econômicas, o regime tem indicado que manterá a doutrina comunista estabelecida desde sua fundação, em 1948, pelo pai de Kim Jong-il, Kim Il-sung, que governou o país até sua morte, em 1994.

Na sexta-feira, o regime norte-coreano emitiu o primeiro comunicado oficial após a morte do ex-líder, no qual afirmou que a linha política do país será mantida e se negou a estabelecer diálogo com o atual governo de Seul. Tecnicamente, as duas Coreias ainda estão em guerra, pois o confronto travado entre os dois países entre 1950 e 1953 foi encerrado com um armistício, e não com um tratado de paz.

Continuidade: Coreia do Norte descarta mudanças políticas com novo líder

"Declaro solenemente e orgulhosamente aos formuladores das políticas estúpidas do mundo, incluindo os fantoches sul-coreanas, que não aguardem a menor mudança de nossa parte", disse a Comissão Nacional de Defesa norte-coreano em um comunicado divulgado pela KCNA.

"Como dissemos, continuaremos nos recusando a estabelecer ligações com o traidor Lee Myung-Bak e seu grupo", acrescentou a comissão, considerada a estrutura mais poderosa do país, referindo-se ao presidente sul-coreano.

Nos três dias que se seguiram ao funeral de Kim Jong-il, a Coreia do Norte apressou-se a fechar a sucessão e mobilizar suas ferramentas de propaganda para exaltar a imagem do ex-líder e de seu jovem substituto.

Agora, após a nomeação de Kim Jong-un como "comandante supremo", o regime comunista norte-coreano anunciou a emissão de moedas de ouro e prata para homenagear e comemorar o 20º aniversário da ascensão ao cargo de comandante supremo do falecido Kim Jong-il. Além disso, iniciou-se em Pyongyang a emissão de selos com a imagem de Kim Jong-un para reforçar a quase desconhecida personalidade do novo líder do país. 

Kim Jong-un saltou ao cenário político há pouco mais de um ano. Em setembro de 2010, ele foi nomeado de surpresa general de quatro estrelas do Exército e vice-presidente da Comissão Militar Central do Partido por causa do delicado estado de saúde de seu pai, afligido por um derrame em 2008.

Em contraposição à rapidez com a qual se desenvolveram os eventos, Kim Jong-il assumiu o "comando supremo" do Exército Popular da Coreia do Norte quando estava com 49 anos, 11 anos após ficar conhecido no país comunista.

*Com EFE e AFP

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