Khatami questiona últimas confissões e métodos usados para consegui-las

Teerã, 26 ago (EFE).- O ex-presidente iraniano Mohamad Khatami colocou em dúvida hoje as confissões realizadas nas últimas semanas por alguns dos detidos nos distúrbios após as eleições, já que na sua opinião foram obtidas em circunstâncias especiais.

EFE |

Segundo a agência de notícias "Ilna", Khatami emitiu nesta quarta-feira um comunicado quase 24 horas depois que vários reformistas fossem julgados por um tribunal.

De acordo com as declarações transcritas pela imprensa local, vários deles confessaram que os recentes protestos contra a polêmica reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, faziam parte de uma conspiração para derrubar o regime.

Um dos acusados, o investigador iraniano com passaporte dos Estados Unidos, Kian Tajbakhsh, teria inclusive apontado ao próprio Khatami como um dos principais envolvidos.

Segundo a televisão estatal "PressTV", Tajbakhsh, acusado de espionagem, teria declarado que tanto o ex-presidente como Mohamad Javad Zarif, ex-representante do Irã na ONU, teriam se reunido com o empresário americano George Soros em 1996.

O encontro faria parte de um plano para derrubar o sistema que Khatami teria iniciado em 1997, quando foi eleito presidente por arrasadora maioria.

No comunicado, reproduzido de forma parcial pela agência Ilna, o escritório do ex-presidente assegura que as informações não são mais que "mentiras sem fundamento".

Por isso, instou às autoridades iranianas a "pôr fim às ações ilegais e deter a difusão de imoralidades, que só prejudicam ao sistema islâmico".

Mais de 100 pessoas são julgadas atualmente no Irã acusadas de participar dos protestos após as eleições, quando morreram cerca de 30 pessoas - segundo números oficiais - e cerca de quatro mil foram detidas.

Entre os julgados está o ex-vice-presidente Mohamad Ali Abtahi, que foi o braço direito de Khatami no Governo.

A oposição reformista iraniana não aceitou os resultados das últimas eleições, que considera fraudulentos. EFE jm/fk

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