Khatami propõe plebiscito sobre legitimidade do Governo de Ahmadinejad

Teerã, 20 jul (EFE).- O ex-presidente reformista iraniano Mohamad Khatami propôs a realização de um plebiscito sobre a legitimidade do Governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad, para sair da crise vivida no Irã após as eleições presidenciais de 12 de junho.

EFE |

Um site dos partidários do candidato reformista no pleito e líder opositor Mir Hossein Moussavi publicou hoje que Khatami propôs a consulta durante uma reunião que manteve ontem com os parentes de importantes detidos em Teerã.

"Aqui digo claramente, a única via para sair da crise atual é depender do voto do povo e da realização de um plebiscito", disse o atual líder da formação reformista Assembleia dos Clérigos Combatentes.

Nessa reunião, os parentes informaram sobre a situação dos detidos durante os distúrbios que ocorreram depois da proclamação do presidente Ahmadinejad como vencedor do pleito, que a oposição considera fraudulento.

Os parentes criticaram a forma como aconteceram as detenções e a falta de informação por parte das autoridades judiciais e de segurança sobre a situação atual dos detidos.

"Os familiares dos detidos disseram não saber o lugar onde estão os detidos e reclamaram da falta de cumprimento da legalidade a respeito deles", disse Majid Ansari, secretário-executivo da Assembleia de Clérigos Combatentes, segundo a agência de notícias iraniana "Ilna".

"O senhor Khatami pediu a libertação imediata dos prisioneiros políticos", acrescentou.

Após o pleito, milhares de pessoas foram às ruas de várias cidades iranianas, especialmente de Teerã, para protestar contra os resultados e apoiar Moussavi, o segundo candidato mais votado.

Os protestos, que se estenderam durante várias semanas, foram reprimidos violentamente pela Polícia, com um saldo oficial de 20 mortos, centenas de feridos e milhares de detidos.

Khatami, segundo a "Ilna", também disse que os dois elementos que compõem a República Islâmica - tanto o caráter islâmico quanto o de república - foram prejudicados após as eleições, e agradeceu "as posturas benévolas" durante o sermão da sexta-feira passada do aiatolá Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, principal apoio de Moussavi.

EFE msh/an

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