Khatami declara apoio a Mousavi e entra de vez nas eleições iranianas

Javier Martín. Teerã, 23 mai (EFE).- Milhares de rosas vermelhas e de lírios verdes receberam hoje o ex-presidente iraniano Mohamad Khatami em um grande comício em Teerã, no qual entrou de fato na campanha eleitoral para apoiar a candidatura à Presidência do ex-primeiro-ministro Mir Hussein Mousavi.

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Com a mesma força que tinha há mais de uma década, Khatami reuniu cerca de dez mil fervorosos eleitores, em sua maioria jovens, no ginásio esportivo Azadi, na parte sul da capital iraniana.

"Vim aqui por Khatami. E votarei em Mousavi porque está com Khatami", explicou à Agência Efe Negare, uma jovem de 23 anos que estava acompanhada por sua mãe e suas irmãs.

Vestida de preto dos pés à cabeça, Negare resumia o sentimento de uma multidão.

"Não queremos que (o presidente iraniano, Mahmoud) Ahmadinejad se reeleja. Não quero nem pensar nisso", repetia.

Algumas fileiras depois, acompanhada de um grupo de amigas da universidade, Malika garantia que os iranianos "precisam de Mousavi.

Precisamos de reformas, de libertar o Irã, e precisamos disso agora".

"Queremos a democracia e a liberdade. Ele (Mousavi) pode trazer ao Irã todas as coisas que o país não tem", acrescentou Malika, uma jovem vestida à moda ocidental e que votou em Khatami em 2001.

Embora mantenha um enorme prestígio entre os jovens, Khatami também sofre forte rejeição entre os que se sentiram frustrados pelo fracasso de seu programa de reformas. O ex-presidente ameaçou concorrer nas eleições de 12 de junho, mas resolveu declarar seu apoio a Mousavi.

Khatami sempre apostou na candidatura do ex-primeiro-ministro. O aparente objetivo da parceria é conquistar o voto reformista jovem e o conservador moderado de meia-idade para derrotar Ahmadinejad.

O ex-presidente garante o apoio dos iranianos abaixo dos 30 anos, que ainda parecem manter intacta a esperança que marcou o início de seu mandato.

Já o discurso de Mousavi, mais centrado em atacar a gestão do atual presidente, atrai os eleitores desencantados e cansados das políticas de Ahmadinejad, mas que ao mesmo tempo têm receios em relação aos reformistas.

Tal estratégia combina o respeito aos princípios da Revolução Islâmica - encarnados pelo ex-primeiro-ministro, que governou o país após o movimento (1980-1989) - e às ânsias de abertura ainda representadas por Khatami.

Entretanto, o elemento-chave final para o êxito de Mousavi nas urnas será o índice de participação.

Segundo especialistas, as chances dos rivais de Ahmadinejad passam por uma peregrinação em massa dos iranianos às urnas no próximo dia 12.

Por isso, Khatami voltou hoje a pedir a seus compatriotas para que não se deixem vencer pelo pessimismo e que deem seu voto.

Animado pelos milhares de presentes, Khatami fez um discurso recheado de alusões à liberdade, aos direitos civis e à revolução, palavra que repetiu incessantemente.

"As próximas eleições devem ser uma oportunidade para recuperar a dignidade do país", disse o ex-presidente, que voltou a defender os direitos individuais, a liberdade de imprensa e de opinião, e que ressaltou que tudo isso "é compatível com o Islã, porque o Islã é uma religião humana".

Antes de entrar em cena, os telões levaram o público à loucura com imagens que misturavam cenas dos primeiros dias da Revolução, fotografias do aiatolá Khomeini e discursos do próprio Khatami.

Tratou-se de uma montagem bem cuidada na qual também apareceram discursos do ex-presidente e de Mousavi - e que pareceu ter provocado o efeito desejado.

"É a dupla que vai fazer todos os iranianos felizes", dizia com uma inocência quase infantil Farshaneh, uma jovem de apenas 18 anos que não parava de erguer, como uma bandeira, o ramo de lírios verdes que segurava nas mãos. EFE jm/bba

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