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Khatami considera inválido julgamento pós-eleitoral no Irã

Teerã, 2 ago (EFE).- O ex-presidente reformista iraniano Mohamad Khatami disse que o julgamento que começou no sábado de um grupo de detidos pelos protestos depois das eleições no Irã viola a Constituição e os direitos da cidadania.

EFE |

Khatami fez esta declaração durante uma reunião com um grupo de ativistas políticos e membros do Parlamento islâmico, publica hoje a agência de notícias iraniana "Ilna".

"Em vez de colocar sérias acusações contra os detidos, se insultou o povo, o sistema da República Islâmica e alguns personagens válidos e influentes", denunciou Khatami "Apoiar-se nas confissões obtidas sob certas condições é inválido", acrescentou Khatami, que reclamou da falta de condições devidas para um processo público, no qual nem os acusados nem seus advogados foram informados com adiantamento da data do julgamento nem do conteúdo das acusações.

"Não acho que o aiatolá Hashemi Shahroudi, (o chefe do Poder Judiciário) esteja de acordo com o desenvolvimento e as condições deste processo" disse o ex-presidente.

"Em nosso sistema, que é o resultado da Revolução Islâmica, o direito do povo e seu voto têm imensa importância", ressaltou.

Um primeiro grupo de detidos pelos protestos compareceu no sábado perante o juiz de um tribunal revolucionário em Teerã.

Entre os processados, cerca de 100, estão importantes ativistas políticos membros da Organização dos Mujahedines da Revolução Islâmica, próxima de Mohamad Khatami, e do partido Frente da Participação, próximo a Akbar Hashemi Rafsanjani.

Nessa primeira sessão, o vice-procurador do tribunal geral e revolucionário de Teerã, Abdolreza Mohebbati, deu leitura à acusação geral dos processados por "atuar contra a segurança do estado" e qualificou os protestos de "tentativa infrutífera de provocar um golpe de estado de 'veludo'" Mohebbati disse que as acusações se baseiam nas confissões dos detidos, entre eles um iraniano que, segundo o procurador, colaborava com a CIA (agência de inteligência americana), e ressaltou que as manifestações faziam parte de um plano planejado há anos atrás.

Após a proclamação do ultraconservador e atual presidente Mahmoud Ahmadinejad como ganhador do pleito de 12 de junho, a oposição protagonizou maciças manifestações de protesto em várias cidades iranianas, que foram reprimidas brutalmente pela Polícia com um balanço de pelo menos 20 mortos e milhares de detidos. EFE msh/an

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