O guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta sexta-feira que seu país continuará defendendo com firmeza seus direitos nucleares, e avisou à oposição que o governo também atuará com determinação contra seus detratores no Irã.

"Precisamos manter uma posição firme para defender nossos direitos nucleares. Abrir mão deles, seja no âmbito nuclear, seja em qualquer outro, significa aceitar o declínio", declarou Khamenei em Teerã durante a tradicional oração de sexta-feira.

"Entraremos numa fase de declínio se mostrarmos fraqueza e recuarmos diante dos opressores, em vez de resistir a eles", acrescentou.

Khamenei fez esta declaração dois dias depois de o Irã ter entregue seu "pacote de propostas" ao grupo dos seis países envolvidos nas negociações (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha).

Sobre este assunto, um porta-voz de Javier Solana, chefe da diplomacia da União Europeia (UE) afirmou nesta sexta-feira que o Irã não respondeu às perguntas do grupo. Na véspera, as grandes potências reagiram com cepticismo ao pacote de propostas iraniano.

Segundo ainda a porta-voz de Solana, as grandes potências que negociam com Teerã sobre suas atividades nucleares decidiram pedir uma reunião o quanto antes possível depois de considerar insuficiente a última proposta dos iranianos.

Teerã quer "um quadro internacional" contra a ameaça que constituem as armas nucleares, comentou na quinta-feira Mojtaba Samareh Hashemi, conselheiro do presidente Mahmud Ahmadinejad, em entrevista concedida ao Washington Post.

"Podemos imaginar, com a cooperação de todos os países, um quadro internacional impedindo a busca, a produção, a detenção e a multiplicação das armas nucleares, que também inclua a destruição das armas nucleares atuais", explicou.

O Irã segue se recusando a suspender seu programa de enriquecimento de urânio, como exige o Conselho de Segurança da ONU, que aprovou uma série de sanções contra a República Islâmica.

Nesta sexta-feira, o aiatolá Khamenei lançou uma advertência à oposição do país.

"O regime islâmico atuará com determinação contra os que tiraram sua espada para combatê-lo", avisou.

"O regime não atua contra os que têm pontos de vista diferentes (do governo). Queremos integrar o maior número possível de pessoas. Os que têm posições contrárias podem desempenhar um papel neste contexto. Porém, o regime lutará contra os que atuam contra os princípios e a segurança", declarou o dirigente.

"Algumas pessoas afirmam que o povo perdeu a confiança no regime. Quero responder a elas que quando 40 milhões de pessoas participam das eleições, significa que a confiança está aqui",, acrescentou.

Na primeira parte de seu discurso, ele lembrou, em clara advertência à oposição, que durante os primeiros anos da revolução muitos altos dirigentes da República Islâmica foram afastados por terem questionado os princípios revolucionários.

Depois da eleição presidencial de 12 de junho e o anúncio da vitória do presidente Ahmadinejad, os candidatos da oposição Mir Hossein Mussavi e Mehdi Karubi denunciaram fraudes em grande escala e se recusaram a reconhecer o resultado.

O ex-presidente Akbar Hashemi Rafsandjani, que apoiou Mussavi nesta eleição, afirmou recentemente que parte do povo perdeu a confiança no atual regime.

A pressão contra a oposição cresceu nas últimas semanas.

Na noite de quinta-feira, Mohammad Ozlati Moghaddam, conselheiro de Mussavi, foi detido em sua casa. Terça-feira, dois colaboradores de Mussavi e Karubi foram presos, e os escritórios de Karubi no norte do Teerã foram fechados por ordem da justiça.

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