Khamenei declara que regime não vai se dobrar pela força

TEERÃ - O guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, declarou nesta quarta-feira que as autoridades não cederão à onda de manifestações contrárias à reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Redação com agências internacionais |

"Nos recentes incidentes que envolvem a eleição, eu venho insistindo na aplicação da lei e continuarei. Nem o sistema, nem o povo vão ceder pela força", declarou.


Khamenei é visto em foto de arquivo / AP

Agora que a tropa de choque da polícia e milícias religiosas retomaram o controle sobre as ruas, a liderança conservadora do Irã tem adotado uma retórica mais dura contra os críticos tanto dentro quanto fora do país.

O ministro do Exterior, Manouchehr Mottaki, disse que o Irã avalia se reduz suas relações com a Grã-Bretanha após uma troca de expulsões de diplomatas nessa semana. Ele também disse que "não há planos" para ir à Itália nessa semana participar da reunião que o G8 fará sobre o Afeganistão.

Jornalistas presos

Nesta quarta-feira, polícia iraniana prendeu cerca de 20 pessoas na sede do jornal "Kalameh" , favorável ao candidato derrotado Mir Hossein Mousavi.

"No momento em que a polícia invadiu o jornal havia aproximadamente 20 pessoas. Cinco eram do setor administrativo e o restante jornalistas", afirmou uma fonte da agência EFE, que preferiu não se identificar.

Segundo a mesma fonte, a redação do jornal, localizada em um edifício no centro de Teerã, já não estava em funcionamento, mas ainda era utilizada como centro de reunião.

A polícia iraniana anunciou que tinha desmantelado o quartel-general dos "sabotadores", "utilizado como base de campanha por um dos candidatos presidenciais" derrotados no dia 12 de junho.

"Após revistar o edifício, que era utilizado pela campanha de um dos candidatos, foi descoberto que aconteciam reuniões ilegais que promoviam os distúrbios e trabalhavam contra a segurança do país", disse a polícia em comunicado divulgado pela agência oficial de notícias "Irna".

Dissidente convoca luto

O aiatolá dissidente Hussein Ali Montazeri convocou três dias de luto em memória aos que morreram durante os últimos dez dias de protestos no Irã contra os resultados das eleições presidenciais de 12 de junho.

Em comunicado em seu site, o clérigo, sob prisão domiciliar há mais de uma década, criticou o regime ao assinalar que deve permitir os protestos da oposição.

"Ignorar as reivindicações do povo é proibido pela religião", afirmou de sua casa na cidade santa de Qom, um dos principais berços do pensamento xiita.

Montazeri foi apontado na década de 80 como sucessor do fundador e líder supremo da Revolução, o grande aiatolá Ruhollah Khomeini. No entanto, as manobras na cúpula do clero iraniano evitaram sua ascensão e permitiram a escolha do atual líder supremo, Ali Khamenei. Desde então, Montazeri se transformou em um dos principais críticos da atual liderança.

Entenda os conflitos no Irã

Mir Hossein Mousavi, candidato reformista, se proclamou vencedor do pleito presidencial, no dia 12 de junho, passada pouco depois do fechamento dos colégios, e denunciou uma suposta fraude a favor de seu rival, o atual presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, a quem o Ministério do Interior concedeu a vitória por maioria absoluta .

Desde então, o Irã foi palco de protestos e distúrbios entre a oposição e as forças de segurança - apoiadas por grupos de milicianos islâmicos Basij - que deixaram pelo menos 20 mortos.

Conselho de Guardiães descarta nova eleição;
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* Com EFE e AFP

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