Khamenei ameaça acabar com eleição direta para presidente no Irã

Aiatolá afirmou em discurso que não seria "nenhum problema" eliminar o cargo de presidente eleito diretamente

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Comentário Khamenei foi feito no mesmo momento em que Ahmadinejad luta contra críticas
O Irã pode acabar com o cargo de presidente eleito por voto direto, disse neste domingo (16) o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, no que pode ser um alerta para que Mahmoud Ahmadinejad e possíveis sucessores não ultrapassem os seus poderes executivos limitados.

O comentário de Khamenei acontece enquanto Ahmadinejad luta contra críticas constantes dos conservadores de linha dura que o acusam de estar sob o domínio de conselheiros "divergentes" que querem minar o papel do clero islâmico, incluindo a função do líder supremo.

Khamenei lançou a sugestão, o que seria a maior mudança na Constituição do Irã em duas décadas, durante um discurso abrangente, dizendo que não seria "nenhum problema" eliminar o cargo de presidente eleito diretamente, se isso fosse considerado necessário.

"No momento, o sistema de governo do país é presidencial, um governo em que o presidente é eleito diretamente pelo povo, e esse é um método bom e eficaz", ele disse a uma plateia de acadêmicos na província de Kermanshah.

"Entretanto, se um dia, provavelmente em um futuro distante, for considerado que o sistema parlamentarista for o mais apropriado para a eleição das autoridades (que exercerão) o poder executivo, alterar a estrutura atual não será nenhum problema", disse Khamenei em um discurso transmitido pela televisão estatal.

Ahmadinejad contou com o apoio total de Khamenei quando foi eleito para um segundo mandato de quatro anos em junho de 2009, porém analistas disseram que, em abril passado, houve um atrito entre as duas maiores autoridades do país quando o presidente tentou demitir seu ministro da Inteligência e foi proibido pelo líder supremo de fazê-lo.

Membros do Parlamento dominado por conservadores já ameaçaram Ahmadinejad de impeachment e o judiciário processou alguns de seus aliados por alegações de corrupção, atrapalhando a sua posição na corrida para as eleições parlamentares, em março.

Os comentários de Khamenei podem ser vistos como uma reafirmação sobre o seu status de autoridade suprema em relação aos assuntos iranianos, acima da Presidência.

O cargo de presidente tem um alto perfil internacional, mas seus poderes são limitados, especialmente pelo líder supremo, que tem a última palavra sobre as principais questões, incluindo as militares e o programa nuclear.

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