A Nigéria ordenou nesta quinta-feira a retirada de seu embaixador da Líbia após a sugestão feita pelo líder líbio, Muammar Khadafi, de que o país deveria ser dividido em dois - um muçulmano no norte e um cristão no sul. O ministério das Relações Exteriores da Nigéria disse por meio de um comunicado que o embaixador estava sendo chamado para consultas por causa do discurso irresponsável do coronel Khadafi.

"Suas tiradas teatrais a cada oportunidade são inúmeras para serem contadas", diz o texto.

No início da semana um senador nigeriano havia chamado Khadafi de "louco".

Sugestão
Khadafi sugeriu a divisão da Nigéria para impedir mais conflitos entre grupos rivais no país. Centenas já morreram este ano em violência étnica e religiosa na região de Jos, no centro do país.

Embora a violência na Nigéria geralmente ocorra entre muçulmanos (que dominam o norte) e cristãos (predominantes no sul), suas causas são também políticas, econômicas e sociais.

Khadafi, que chefiava até recentemente a União Africana, elogiou a divisão da Índia para a criação do Paquistão em 1947 como o tipo de "solução radical, histórica" que beneficiaria a Nigéria.

Pelo menos 200 mil pessoas morreram na secessão indiana, com algumas estimativas afirmando que o número de mortos chegou a um milhão.

A partilha deixou ainda 12 milhões de pessoas desabrigadas e dividiu inúmeras famílias.

Uma tentativa de separatismo do sudeste nigeriano, em 1967, deflagrou uma guerra que matou mais de um milhão de pessoas.

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