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Khadaffi convoca jihad contra a Suíça por minaretes

BENGHAZI, Líbia (Reuters) - O líder líbio, Muammar Khadaffi, convocou nesta quinta-feira os muçulmanos a uma jihad (luta religiosa) contra a Suíça, por causa da destruição de minaretes no país europeu. Qualquer muçulmano em qualquer parte do mundo que trabalhe com a Suíça é um apóstata, é contra Maomé, Deus e o Corão, disse ele num evento alusivo ao nascimento do profeta Maomé em Benghazi, no leste da Líbia.

Reuters |

"As massas de muçulmanos devem ir a todos os aeroportos no mundo islâmico para impedir qualquer avião suíço de pousar, a todos os portos para impedir qualquer navio suíço de atracar, inspecionar todas as lojas e mercados para impedir qualquer bem suíço de ser vendido", acrescentou.

A chancelaria suíça disse que não comentaria as declarações de Khadaffi.

A Líbia rompeu relações com a Suíça em 2008, quando um filho de Khadaffi foi detido em um hotel de Genebra e indiciado por abuso contra serviçais domésticos. Ele foi liberado logo depois, e a acusação foi retirada, mas a Líbia cortou o fornecimento de petróleo para a Suíça, retirou bilhões de dólares de contas bancárias do país e deteve dois executivos suíços que trabalhavam na Líbia.

Um deles foi libertado, mas o outro foi forçado nesta semana a deixar a embaixada da Suíça em Trípoli, onde estava refugiado, para cumprir uma pena de quatro meses de prisão, aparentemente evitando um confronto.

A Líbia diz que não há relação entre a prisão do filho de Khadaffi e a detenção dos dois executivos.

"Lutemos contra a Suíça, o sionismo e a agressão estrangeira", disse Khadaffi, acrescentando que "isso não é terrorismo", em contraste com a atividade da Al Qaeda, que ele qualificou como "uma espécie de crime e doença psicológica".

"Há uma grande diferença entre terrorismo e jihad, que é o direito a uma luta armada", afirmou.

Khadaffi acusa a Suíça de ser um "Estado infiel e obsceno, que está destruindo mesquitas", em referência a um recente referendo suíço que proibiu a construção de minaretes. Ele convocou "uma jihad contra isso por qualquer meio."

O discurso foi feito antes de orações numa praça de Benghazi, diante de representantes de dezenas de países islâmicos.

O eleitorado suíço aprovou por 57,5 por cento dos votos em novembro a lei contra os minaretes, propostas por um partido de direita. O governo havia feito campanha pelo não, alegando que a medida violaria a liberdade religiosa.

(Reportagem de Salah Sarrar)

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