Kgalema Motlanthe, um conciliador na presidência da África do Sul

Kgalema Motlanthe, número dois do partido no poder na África do Sul e escolhido para suceder ao presidente Thabo Mbeki, é um conciliador que soube como navegar nas águas às vezes tumultuadas do Congresso Nacional Africano (CNA).

AFP |

Ex-combatente da luta contra o apartheid e do movimento sindicalista, Motlanthe teve o cuidado de não se aliar a um dos clãs que dividem o CNA.

Pelo contrário, ele desempenhou o papel de "ponte" entre os partidários do chefe de Estado e os do presidente do CNA, Jacob Zuma, explicou Chris Landsberg, diretor do Centro de Estudos Políticos.

"Apesar das tentativas para associá-lo a um ou outro grupo, ele sempre soube se distanciar e preservar sua reputação de homem neutro", destacou.

No momento em que o CNA e a África do Sul passam por sua fase mais complicada desde a chegada da democracia, em 1994, estas qualidades podem se revelar preciosas.

Até a chefe da oposição, Helen Zille, admitiu que Motlanthe "talvez seja o mais sensato dos homens políticos" no cenário atual.

Kgalema Motlanthe foi eleito à vice-presidência do CNA em dezembro, mês em que Zuma foi eleito à presidência do partido, durante um congresso com ares de revolução interna. Na época, ele foi o único a conseguir restaurar a calma.

Seus detratores, inclusive dentro de seu próprio partido, o acusam de ser "politicamente correto" demais, e muitos pensavam que o CNA escolheria a presidente do Parlamento, Baleka Mbbete, para substituir Mbeki.

Entretanto, o discreto Kgalema Motlanthe, 59 anos, acabou sendo o escolhido. Pela primeira vez, ele vai ter que lidar com os holofotes que sempre quisera evitar.

Pouco se conhece sobre a vida do novo presidente da África do Sul. Sabe-se que ele nasceu em 1949, foi influenciado pelo movimento da Consciência Negra de Steve Biko e se juntou à luta clandestina do CNA contra o apartheid nos anos 70.

Após uma primeira detenção de 11 meses, ele foi enviado em 1977 à ilha prisão de Robben Island, onde foram presos grandes nomes da luta como Nelson Mandela. Ele só foi libertado em 1987.

Em 1990, ano em que o CNA foi legalizado, ele formou uma estrutura do partido na rica província de Gauteng, onde ficam as metrópoles de Johanesburgo e Pretória, antes de se tornar um dos líderes do movimento sindical.

Seu nome foi citado em um escândalo ligado ao programa "Petróleo por Alimentos" no Iraque, mas ele nunca chegou a ser processado.

No fim de 2007, ele refutava qualquer ambição presidencial. "Eu, presidente? Não, obrigado", dizia, afirmando preferir o cargo de assistente dos 'Bafana Bafana', a seleção sul-africana de futebol, atualmente treinada por Joel Santana, ex-Flamengo.

Entretanto, ele terá que assumir a direção do país pelo menos até as próximas eleições gerais, no segundo trimestre de 2009, quando deverá ceder o lugar a Jacob Zuma.

chp/yw

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG