Kennedy: uma dinastia marcada pela tragédia

O tumor incurável no cérebro diagnosticado no senador democrata Edward Kennedy reacendeu a paixão dos americanos por esta dinastia, cujos dramas marcaram a história dos Estados Unidos.

AFP |

"Kennedy tem tumor cancerígeno, o prognóstico é reservado", estampou em sua manchete o Boston Globe, o grande jornal do estado de Massachusetts, onde "Ted" Kennedy exerce a profissão de senador ininterruptamente desde 1962.

O "Leão do Senado", assim chamado pela imprensa americana, deixou nesta quarta-feira o hospital de Boston, onde estava desde sábado. O ícone da esquerda americana foi descansar com a família em sua casa de Cap Cod, à beira do Atlântico.

Irmão caçula dos quatro irmãos Kennedy, "Ted" tinha se tornado o patriarca do clã depois da morte trágica do irmão mais velho, John Fitzgerald Kennedy, o primeiro presidente católico dos Estados Unidos, assassinado em novembro de 1963 em Dallas e, cinco anos depois, de seu outro irmão Robert, candidato à presidência dos Estados Unidos, assassinado em junho de 1968 em Los Angeles.

O drama que abala Edward Kennedy vem à tona no momento em que a América se prepara para recordar o assassinato de Robert. Vários livros dedicados a este acontecimento acabam de ser publicados, ou vão ser publicados muito em breve. O rosto de Robert Kennedy ilustra a edição de junho da revista Vanity Fair.

De acordo com o historiador Doris Kearns Goodwin, quando seus irmãos mais velhos morreram, Edward Kennedy assumiu o legado político da dinastia, mas também o papel de tutor de seus muitos sobrinhos e sobrinhas.

"Chegou uma hora, após a morte de Bobby (Robert), em que Teddy (Edward) se tornou não somente o portador do legado político, mas também o apoio da família inteira", afirmou Goodwin.

O irmão mais velho dos irmãos Kennedy, Joseph Jr, em quem seus pais Joseph e Rose Kennedy depositavam as maiores esperanças, morreu em 1944 durante a Segunda Guerra Mundial depois de se prontificar a uma perigosa missão aérea. Em 1941, a primeira filha do clã, Rosemary Kennedy, havia sido internada por problemas mentais. Em 1948, a outra filha da família, Kathleen, morreu num acidente de avião.

Em 1969, a carreira de Edward Kennedy poderia ter sido interrompida depois da morte de uma de suas assistentes em um acidente de carro, quando ele estava no volante. "O incidente de Chappaquiddick", como foi batizado, ficou gravado no memória coletiva americana.

A fatalidade continuou marcando a família. Em 1973, Joseph Patrick Kennedy II, filho de Robert Kennedy, se envolveu num acidente de carro em que a passageira do veículo ficou paraplégica. No mesmo ano, Edward Kennedy Jr, filho de "Ted", que sofria de câncer, teve uma perna amputada com apenas 12 anos.

David Kennedy, um dos filhos de Robert, morreu de overdose em 1984. Em 1991, um sobrinho de Edward, William Kennedy Smith, foi julgado e absolvido por uma tentativa de estupro.

Jacqueline Kennedy, viúva do presidente assassinado, morreu de câncer em 1994. Michael, um dos filhos de Robert, morreu num acidente de esqui em 1998 e no ano seguinte John Kennedy Jr, filho de John e Jacqueline, morreu com sua esposa em um acidente de avião.

Segundo Thomas Whalen, professor de ciências políticas na universidade de Boston, todos estes dramas poderiam ter dado bons motivos a Edward Kennedy para abandonar a política. Porém, ao contrário, as tragédias uniram os membros do clã e multiplicaram a vontade do senador de trabalhar para a defesa do bem público, afirmou Whalen.

"As tragédias que abalaram os Kennedy os humanizaram, transformando eles em pessoas comuns", concluiu.

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