Keiko Fujimori reconhece vitória de Ollanta Humala no Peru

Candidata derrota propõe diálogo diz que sua bancada parlamentar será 'oposição sólida' que defenderá suas convicções

iG São Paulo |

AFP
Ao lado do marido, Mark Vito, Keiko Fujimori acena para a multidão no domingo
A candidata direitista Keiko Fujimori reconheceu nesta segunda-feira sua derrota para Ollanta Humala na eleição presidencial peruana, desejando sucesso ao futuro governo. "Vimos que os resultados oficiais dão como vencedor o senhor Ollanta Humala, reconheço seu triunfo, saúdo sua vitória e lhe desejo sorte", disse. Ela também declarou que agora é o momento de "iniciar o diálogo" para que o país "não se detenha".

A filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão em 2009 por violação dos direitos humanos, também disse que iria a um hotel de Lima onde o presidente eleito se instalou para cumprimentá-lo pessoalmente. Afirmou que a campanha eleitoral foi "muito polarizada" e era "hora de construir pontes".

Segundo a contagem oficial da autoridade eleitoral, com 90,5% dos votos apurados, Humala alcançou 51,37% dos votos, enquanto Keiko obteve 48,63%.

Keiko, de 36 anos, afirmou que, para lutar contra a pobreza no país, é fundamental dar continuidade "ao rumo econômico traçado e que se mantenham regras claras que criem confiança". "Estenderemos as pontes necessárias para assegurar a governabilidade do Peru e seremos a oposição representada por 48% dos peruanos que confiam no modelo que defendemos", afirmou, destacando que sua bancada parlamentar no Congresso será uma "oposição sólida" que defenderá suas convicções.

Desafios do presidente eleito

Com 48 anos, Humala enfrenta desde esta segunda-feira um desafio duplo: dar sinais de uma reconciliação política num país polarizado e tranquilizar os mercados , cuja forte queda em reação à sua vitória provocou o fechamento antecipado das operações da Bolsa de Valores de Lima. Com queda de 12,51%, a maior de sua história, a Bolsa de Valores de Lima fechou duas horas antes do pregão normal.

Investidores e líderes empresariais temem que ele aumente o controle estatal da economia, abandone a disciplina fiscal, renegue acordos de livre comércio e ponha em perigo o recente sucesso econômico do país por meio de políticas intervencionistas e aumento dos gastos sociais. Keiko era a favorita dos investidores, mas muitos eleitores votaram contra ela por causa de seu pai.

Em meio a um clima de incerteza, as operações na Bolsa de Lima foram suspensas durante duas horas logo após terem sido abertas em queda de 8,71% , sendo os principais afetados os títulos das empresas mineradoras: a Austral chegou a cair 17,8%, enquanto a Atacocha 15,6% e a Volcán, 15%.

AP
Preidente eleito do Peru, Ollanta Humala, fala em comício em Lima para partidários depois de vencer segundo turno eleitoral

Por volta do meio-dia as atividades foram reabertas, mas voltaram a fechar duas horas antes do fim do pregão por causa da queda de 12,51%. Pedro Pablo Kuczynski, candidato conservador derrotado no primeiro turno e ex-ministro de Economia, havia advertido para problemas no setor de mineração, referindo-se a uma proposta de Humala de aplicar um imposto extraordinário sobre os lucros das empresas mineradoras, um aspecto central do programa de governo.

O responsável pela diplomacia dos EUA para a América Latina, Arturo Valenzuela, anunciou durante o dia que Washington estava " disposto a trabalhar com ele (Humala), como vínhamos trabalhando com as autoridades do Peru".

Antes mesmo do fim da apuração oficial, aumenta a pressão para que Humala anuncie os nomes dos que ocuparão os cargos de primeiro-ministro e ministro da Economia.

As incertezas do mercado têm relação com o fato de que, na eleição presidencial de 2006, Humala recebeu um forte apoio do presidente venezuelano Hugo Chávez, assustando o setor privado. Apesar de Humala ter-se distanciado de Chávez e apresentado um programa moderado, as propostas iniciais de estatização e reforma da Constituição causaram desconfiança sobre suas verdadeiras intenções.

Na noite de domingo, Humala se mostrou conciliador no discurso da vitória diante de milhares de partidários reunidos na praça 3 de maio em Lima. Prometeu dar "continuidado ao crescimento econômico, e que este será o grande motor do desenvolvimento social do país", tentando tranquilizar os investidores.

Disse também que seu governo convocará "os melhores técnicos independentes para poder fazer um governo de base ampla, em que ninguém se sinta excluído". No entanto, nesta segunda-feira, seu vice, Omar Chehade, provocou temores de que a polarização aumente ao declarar que o ex-presidente  Fujimori, que desde 2009 cumpre uma sentença de 25 anos numa unidade policial em Lima, deve ir para uma penitenciária comum.

*Com AFP e Reuters

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