O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, anunciou neste sábado que aceita a participação de dois estrangeiros em um painel de supervisão das eleições parlamentares marcadas para setembro, voltando atrás em decisão anterior.

No mês passado, Karzai chegou a assinar um decreto que lhe conferia o direito de indicar todos os cinco integrantes da Comissão de Queixas Eleitorais.

A medida foi duramente criticada por governos ocidentais que viram nela uma tentativa de controlar o órgão que, nas polêmicas eleições presidenciais do ano passado, tirou de Karzai quase um terço dos seus votos.

Mesmo assim, o presidente acabou reeleito em novembro, depois que o concorrente no segundo turno abandonou a corrida eleitoral.

'Fase de transição'

Neste sábado, um porta-voz de Karzai disse que o presidente aceitaria alguns estrangeiros na comissão, já que o país estaria atravessando uma "fase de transição" para a democracia.

"O governo afegão demonstrou a sua disposição em aceitar dois não afegãos na Comissão de Queixas Eleitorais, e isso foi anunciado às Nações Unidas", afirmou Waheed Omar.

O controle do painel de observadores continuaria na mão de afegãos, que manteriam a maioria dos votos, destacou Omar.

A decisão anterior de Karzai tinha levado um representante ocidental a questionar, em entrevista à BBC, se a comunidade internacional deveria arcar com os custos de mais uma eleição, que poderia repetir os problemas graves registrados em 2009.

No ano passado, o painel de observadores denunciou um enorme esquema de fraude, anulando quase um milhão de votos de Karzai, o que acabou forçando a realização de um segundo turno.

No entanto, a votação foi anulada dias antes do dia em que deveria acontecer, em novembro. De acordo com o governo, para evitar maiores danos políticos ao Afeganistão e uma nova onda de violência promovida pelo Taleban, como a que antecedera o primeiro turno.

O único concorrente de Karzai, Abdullah Abdullah, já tinha se retirado da corrida, alegando que ela não seria justa.

De acordo com observadores, a comissão, que antes contava com três especialistas estrangeiros nomeados pelas Nações Unidas, deve desempenhar um papel fundamental nas eleições parlamentares deste ano.

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