Karzai se aproxima de vitória no Afeganistão; investigam fraude

Por Akram Walizada e Peter Graff CABUL, 8 de setembro, 10:38 (Reuters) - Os resultados eleitorais do Afeganistão divulgados na terça-feira apontam a provável vitória do presidente Hamid Karzai já no primeiro turno, mas uma organização de fiscalização apoiada pela ONU disse que identificou provas claras e convincentes de fraude e ordenou a recontagem parcial dos votos.

Reuters |

Os últimos dados da Comissão Eleitoral Independente colocam Karzai e as autoridades eleitorais afegãs em rota de colisão com a comunidade internacional, cada vez mais cética quanto aos resultados de uma eleição que financiou.

Com 91,6 por cento das estações de voto contabilizadas, a Comissão Eleitoral Independente (CEI) informou que Karzai está na liderança, com 54,1 por cento dos votos, contra 28,3 por cento para seu rival principal, o ex-ministro das Relações Exteriores Abdullah Abdullah.

Foi a primeira vez que a comissão apontou a probabilidade de Karzai superar os 50 por cento dos votos necessários para evitar um segundo turno. O resultado altera radicalmente os cálculos feitos por diplomatas ocidentais ansiosos por garantir um resultado que seja digno de crédito.

Os resultados só serão considerados finais depois de serem ratificados pela Comissão de Queixas Eleitorais (CQE), organismo separado chefiado por um canadense e cujos integrantes foram em sua maioria indicados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Pela primeira vez, a ECC veio a público com acusações de fraude.

"No decorrer de suas investigações, a CQE encontrou evidências claras e convincentes de fraude em várias estações de voto", disse o organismo em comunicado.

A entidade ordenou que a CEI faça a recontagem dos resultados das estações em que um só candidato recebeu mais de 95 por cento dos votos ou onde foram depositados mais votos que o máximo previsto de 600.

Alguns resultados suspeitos postados anteriormente no site da comissão na Internet - incluindo um vilarejo em que Karzai recebeu cada voto dado, incluindo exatamente 500 em cada um de quatro locais de voto - foram removidos, sem explicações.

Um membro da comissão, Daoud Ali Najaf, disse que levará de dois a três meses para cumprir a ordem da CQE, prolongando a situação de limbo em que o país se encontra desde a eleição do mês passado.

Se um segundo turno se fizer necessário, será difícil realizá-lo no país depois do final de outubro, devido ao clima inclemente.

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