Karzai se aproxima da maioria com avanço da apuração eleitoral afegã

Lutffullah Ormurl. Cabul, 6 set (EFE).- O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, está perto da maioria absoluta nas eleições presidenciais, segundo a mais recente apuração da Comissão Eleitoral, mas os adversários continuam denunciando uma fraude maciça no pleito.

EFE |

Com dados referentes a 74,2% dos colégios, Karzai obtém 48,6% dos votos, um resultado que o coloca muito perto de ser proclamado vencedor sem segundo turno, para o que precisa superar os 50% de voto.

O atual presidente obteve 2.089.179 de um total de 4.295.326 votos válidos, muito na frente de seu principal adversário, o ex-ministro de Exteriores Abdullah Abdullah, que obteve, por enquanto, 1.361.247 votos (31,7%).

Abdullah qualificou várias vezes a apuração como uma "farsa" e solicitou no sábado - sem sucesso - que a Comissão Eleitoral suspenda o processo de apuração, após se referir às fraudes cometidas em várias áreas das províncias mais afins a Karzai.

Segundo a equipe de campanha de Abdullah, a Comissão considerou críveis os resultados em urnas onde Karzai obteve a totalidade das cédulas, assim como números redondos de voto (300, 500), o que alimenta suas suspeitas de que os conjuntos de cédulas contêm 100 votos.

A Comissão se nega a parar a apuração, mas o secretário do organismo, Daoud Ali Najafi, anunciou hoje que os votos de 447 urnas do país foram cancelados devido às irregularidades.

Até o momento, a Comissão de Queixas - um organismo independente da Comissão Eleitoral e com membros estrangeiros - recebeu 2,301 mil denúncias de fraude, entre as quais considera que 698 "poderiam" alterar os resultados das eleições.

À espera de suas decisões, a apuração atrasou a respeito das datas previstas. A Comissão Eleitoral tinha anunciado que teria os resultados preliminares em 3 de setembro, mas adiou o anúncio e, no lugar, informou sobre dados de 60% dos colégios.

Karzai, que nos sucessivos anúncios de resultados foi ampliando sua vantagem sobre os adversários, obteve proporcionalmente mais apoio no sul e no leste do país, áreas onde é majoritária a etnia pashtun, à qual ele pertence.

Embora a participação tenha sido mais baixa nessas áreas - as mais golpeadas pelos insurgentes talibãs -, a apuração avançou mais lentamente do que no resto do país, portanto, muito do que resta a ser contado deve, em teoria, beneficiar Karzai.

Abdullah, antigo porta-voz da Aliança do Norte, obteve seus melhores resultados na maioria das regiões setentrionais, onde tem mais presença a etnia tajique, à qual pertence sua mãe e com a qual ele mesmo se identifica.

Em terceira posição, segundo os dados divulgados hoje, continua o candidato de etnia hazara Ramazan Bashardost, que conseguiu 10,7% dos votos (457.909), apesar de fazer campanha em uma precária tenda de lona contra o Parlamento afegão.

Até o momento, a Comissão Eleitoral não pôde estabelecer uma taxa confiável de participação, mas os especialistas concordam em que esta não chegará a 50% e ficará, portanto, muito longe dos 70% alcançados nas eleições presidenciais anteriores.

As atuais eleições ocorreram em 20 de agosto sob uma campanha de intimidação em massa dos insurgentes talibãs, que pediram o boicote da população e ameaçaram os eleitores a cortar seus dedos se fossem votar.

No Afeganistão, há atualmente pouco mais de 100 mil soldados procedentes de 40 países, mas a situação de violência piorou nos últimos anos e os talibãs expandiram suas ações a amplas faixas do território afegão.

O novo chefe das tropas internacionais no país, general Stanley McChrystal, qualificou esta semana de "grave" a situação do Afeganistão e defendeu modificar a estratégia para melhorar a proteção da população civil na luta contra o Talibã.

Ontem à noite, McChrystal foi à província de Kunduz, no norte do país, para comprovar in situ as denúncias dos moradores sobre a suposta morte de dezenas de civis em um novo bombardeio das tropas estrangeiras contra um grupo de insurgentes. EFE lo-daa/an

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