Karzai promete respeitar Carta afegã em disputa sobre eleição

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, afirmou, nesta segunda-feira, que respeitará a decisão constitucional sobre a eleição presidencial no país, segundo informações divulgadas por uma porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ela, o secretário-geral da Organização, Ban Ki-Moon, conversou por telefone com o presidente afegão e pediu a ele que respeitasse o processo constitucional e Karzai teria prometido que o faria.

BBC Brasil |

As declarações foram feitas após a divulgação de um relatório da Comissão para Queixas Eleitorais, que tem o apoio da ONU. O documento concluiu que Karzai não obteve votos válidos suficientes para sua reeleição em agosto e um segundo turno pode ser necessário.

Resultados preliminares haviam indicado que Karzai tinha recebido mais de 50% dos votos, o que garantiria a ele uma vitória no primeiro turno.

O relatório da Comissão para Queixas Eleitorais servirá como base para que a Comissão Eleitoral Independente (CEI) reveja então seus dados sobre a apuração da votação.

Diferentemente da Comissão para Queixas Eleitorais, a CEI é um órgão indicado pelo presidente afegão para registrar eleitores, realizar eleições e emitir oficialmente os resultados e é tida como pró-Karzai. Apesar disso, a entidade deve, por lei, aceitar as conclusões da Comissão de Queixas Eleitorais.

AP
Cartaz de campanha do candidato
afegão Abdullah Abdullah
O porta-voz de Karzai, Waheed Omar, disse à BBC que o governo só aceitaria o resultado das investigações depois que as conclusões forem verificadas pela CEI.

A CEI já havia anunciado que o pleito teve 55% dos votos válidos para Karzai e 28% para seu principal rival, Abdullah Abdullah, com quem o atual mandatário pode agora ser forçado a disputar o segundo turno.

Ainda nesta segunda-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que espera que a solução para a disputa presidencial esteja de acordo com a Constituição do país e seja decidida nos próximos dias.

O governo americano disse que não vai enviar mais tropas ao Afeganistão até que uma resolução política seja alcançada.

Suspeita de fraudes

A Comissão para Queixas Eleitorais pediu que os votos de 210 locais de votação em todo o país fossem desconsiderados no resultado final da votação de agosto.

O órgão alegou que, nesses locais, houve sinais "claros e convincentes" de fraude.

Embora não tenha sido feito um anúncio oficial, a BBC apurou que, descontados esses votos, a porcentagem de votos em favor de Karzai caiu para menos de 50%, forçando o segundo turno.

Segundo o correspondente da BBC em Cabul Martin Patience, Karzai não aceita a possibilidade de que seja realizado um segundo turno, por considerar que a vitória lhe foi roubada.

Ele estaria agora ameaçando impedir a realização da nova votação.

A Comissão para Queixas Eleitorais iniciou sua investigação após denúncias de fraudes em massa nas eleições de agosto.

Observadores da União Europeia disseram que um em cada quatro votos eram suspeitos de irregularidades.


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