Karzai promete punir responsáveis por morte de civis afegãos

Por Sharafuddin Sharafiyaar AZIZABAD, Afeganistão (Reuters) - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, visitou na quinta-feira os parentes de civis mortos no mês passado em um suposto ataque da coalizão liderada pelos Estados Unidos, prometendo punir em breve os culpados.

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Entre os afegãos, cresce a indignação com a operação ocorrida no dia 22 de agosto no distrito de Shindand, na Província de Herat (oeste). No ataque, segundo o governo do Afeganistão e a Organização das Nações Unidas (ONU), foram mortas 90 pessoas, em sua maioria mulheres e crianças.

Os militares norte-americanos contestam a cifra, afirmando que, segundo investigações deles, de cinco a sete civis foram mortos na operação realizada pelo Exército Nacional Afegão.

'Nos últimos cinco anos, estive trabalhando dia e noite para evitar incidentes desse tipo. Mas não tenho sido bem-sucedido em meus esforços', disse Karzai a um grupo de cerca de mil pessoas reunido perto do vilarejo bombardeado. Os manifestantes exigiam a tomada de medidas contra os culpados pelas mortes.

'Se eu tivesse sido bem-sucedido, os moradores de Azizabad não estariam cobertos de sangue', afirmou Karzai, que mais tarde voou até o vilarejo bombardeado. O presidente afirmou aos idosos do local que tomaria todas as medidas necessárias para garantir a punição dos responsáveis.

Os moradores do vilarejo afirmam que informações errôneas sobre a presença de forças do Taliban na área haviam sido repassadas à coalizão, que comandou o ataque. 'Queremos que essas pessoas sejam punidas', disse Gul Ahmad.

'Não havia membros do Taliban na área. Eu nem mesmo tenho uma arma em casa', disse Sayed Ahmad, que perdeu a mulher e dois filhos no ataque.

Neste ano, até agora, mais de 500 civis foram mortos em operações realizadas por forças estrangeiras e afegãs contra militantes, segundo o governo afegão e alguns grupos de ajuda humanitária. Esse fato provocou indignação e críticas às forças estrangeiras.

As Forças Armadas dos EUA disseram que suas investigações sobre a operação no distrito de Shindand descobriram que um importante comandante do Taliban encontrava-se entre os 30 a 35 insurgentes mortos.

Segundo os militares norte-americanos, um ataque aéreo foi requisitado depois de o Exército afegão e membros da coalizão liderada pelos EUA terem sido atacados durante a ofensiva contra a área de Shindand.

Militantes do Taliban haviam planejado investir contra uma base da coalizão situada perto dali, afirmaram as Forças Armadas dos EUA, citando como prova disso a existência na área de armas, explosivos e materiais de inteligência.

Os militares norte-americanos ofereceram realizar uma investigação tripartite a respeito da morte de civis, investigação essa da qual o governo afegão aceitou fazer parte.

A ONU também integrará o grupo de investigadores.

Karzai disse ainda aos parentes das vítimas que havia conversado com o presidente norte-americano, George W. Bush, na quarta-feira, e que o líder dos EUA tinha manifestado seu pesar.

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