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Karzai promete governo limpo em novo mandato

O presidente afegão, Hamid Karzai, prometeu liderar um governo limpo, um dias depois de ter conquistado um novo mandato de cinco anos.

BBC Brasil |

Em suas primeiras declarações desde que foi declarado vencedor das eleições de agosto, um pleito marcado por acusações de fraude, ele disse que quer "remover o estigma" da corrupção.

Karzai também prometeu formar um governo que inclua todos os que querem trabalhar com ele, sejam eles simpatizantes ou membros da oposição.


Hamid Karzai discursa para jornalistas / AP

Em uma entrevista coletiva nesta terça-feira em Cabul, Karzai disse que teria sido melhor se seu rival, o ex-ministro do Exterior, Abdullah Abdullah, não tivesse desistido de participar do segundo turno da eleição, marcado para 7 de novembro.

Na segunda-feira, a Comissão Eleitoral Independente cancelou o segundo turno da eleição por razões de segurança e para evitar retrocessos que pudessem prejudicar o Afeganistão tanto politicamente quanto economicamente.

O cancelamento foi anunciado um dia depois de Abdullah Abdullah ter desistido da disputa sob a alegação de que não havia "condições mínimas" para evitar fraudes no segundo turno.

Em uma coletiva de imprensa na capital afegã, Cabul, um porta-voz da comissão, Azizullah Ludin, declarou Karzai, o candidato que recebeu mais votos no primeiro turno, vencedor do pleito.

Após o anúncio, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que os Estados Unidos reconheceram Karzai como o "líder legítimo do país".

Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, felicitou Karzai pela reeleição e pediu ao líder afegão para "escrever um novo capítulo" no governo do país.

Em uma conversa telefônica, Obama pediu ainda para que Karzai intensifique os esforços contra a corrupção.

Para o presidente americano, o pleito foi "bagunçado", mas o resultado está "de acordo com a lei afegã".

Obama disse ainda que "Karzai garantiu que entende a importância desse momento para o país". Mas, segundo o presidente americano, "a prova não será em palavras, mas em ações".

A reeleição de Karzai também foi bem recebida por outros líderes. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, felicitou o presidente e disse que os dois "discutiram a importância de o presidente agir rapidamente para estabelecer um programa de unificação para o futuro do Afeganistão".

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, visitou Cabul e disse que a eleição afegã havia sido uma das "mais difíceis que as Nações Unidas já haviam apoiado".

Reuters
Karzai acena antes de encontro com o Secretário Geral da ONU Ban Ki-moon

Um dos objetivos do segundo turno era dar mais legitimidade ao pleito. Segundo a correspondente da BBC em Cabul, Lyse Doucet, alguns observadores questionam a legitimidade de Karzai e colocam em dúvida suas condições de cumprir o novo mandato.

Fraudes

O primeiro turno das eleições afegãs, em 20 de agosto, foram marcados por acusações de fraude. Cerca de 1,3 milhão de votos foram anulados, reduzindo o percentual de votação de Karzai - ainda assim à frente do de Abdullah.

Diante da pressão internacional, Karzai aceitou a realização de um segundo turno.

O candidato da oposição estava condicionando sua participação no segundo turno à renúncia do diretor da Comissão Eleitoral Independente, Azizullah Lodin, que foi rejeitada por Karzai.

Como "condições mínimas" para permanecer na disputa, Abdullah também havia pedido o fechamento de diversos postos de votação, a fim de fazer melhor uso dos monitores eleitorais. Em vez disso, as autoridades anunciaram que abririam mais locais de votação.

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