O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, tomou posse para um segundo mandato nesta quinta-feira em Cabul dizendo esperar que em cinco anos o seu governo dê conta de assumir o controle sobre a segurança do país.

No seu discurso de posse, Karzai disse que cobrará que seus ministros sejam "competentes e justos" e convidou seus rivais na última eleição - marcada por acusações de fraude generalizada - a participar de seu governo.


Karzai tomou posse nesta quinta-feira / Reuters

Karzai disse ainda que a corrupção no país era um "problema sério", e que seu governo fará em breve "uma conferência em Cabul para organizar novas e eficientes formas de combater esse problema".

"Temos que aprender com nosso erros e falhas dos últimos oito anos", disse ele.

O líder afegão também defendeu o fortalecimento das forças de segurança nacionais e a redução do papel das forças estrangeiras no país. Ele anunciou ainda que intensificará a repressão à produção e ao tráfico de drogas.

Ruas desertas

A posse foi realizada sob forte esquema de segurança. As forças de segurança ergueram várias barreiras na capital e nos arredores do local da cerimônia, deixando as ruas desertas.

O aeroporto internacional foi fechado. As autoridades declararam feriado e a população foi instruída a ficar em casa.


Ruas afegãs ficaram desertas nesta quinta-feira / AP

Representantes de 40 países participaram da cerimônia, entre eles a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari e o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband.

Antes da posse, Hillary Clinton disse que o Afeganistão atravessa um "momento crucial".

"Há agora uma clara janela de oportunidades para que o presidente Karzai e seu governo façam um pacto com o povo do Afeganistão para demonstrar claramente que terão responsabilidade e resultados reais que melhorarão a vida da população", afirmou a secretária.

"Queremos ser um parceiro forte para o governo e o povo do Afeganistão - e eu sempre digo os dois. Não é um ou outro, tem que ser os dois".

Segundo a correspondente da BBC em Cabul Kim Ghattas, a presença de Hillary Clinton na cerimônia de posse de Karzai é qualificada em Washington como um endosso para o presidente.

Mas tanto Hillary como o presidente Barack Obama já fizeram declarações públicas sobre a necessidade de combater a corrupção no país. Além disso, Hillary já alertou que a ajuda humanitária para civis será interrompida caso a questão não seja tratada pelo governo.

Karzai foi declarado presidente depois do cancelamento do segundo turno das eleições por conta da desistência do seu único rival, Abdullah Abdullah, de participar do pleito, afirmando que a votação não seria livre ou justa.

O governo americano está discutindo o envio de mais tropas ao Afeganistão e Obama já afirmou que está "muito perto" de uma decisão sobre o número de soldados que serão enviados ao país.

Fraudes

O primeiro turno das eleições afegãs, em 20 de agosto, foram marcados por acusações de fraude. Cerca de 1,3 milhão de votos foram anulados, reduzindo o percentual de votação de Karzai - ainda assim à frente do de Abdullah.

Diante da pressão internacional, Karzai aceitou a realização de um segundo turno.

O candidato da oposição estava condicionando sua participação no segundo turno à renúncia do diretor da Comissão Eleitoral Independente, Azizullah Lodin, que foi rejeitada por Karzai.

Como "condições mínimas" para permanecer na disputa, Abdullah também havia pedido o fechamento de diversos postos de votação, a fim de fazer melhor uso dos monitores eleitorais. Em vez disso, as autoridades anunciaram que abririam mais locais de votação.

Um dos objetivos do segundo turno era dar mais legitimidade ao pleito. Segundo a correspondente da BBC em Cabul, Lyse Doucet, alguns observadores questionam a legitimidade de Karzai e colocam em dúvida suas condições de cumprir o novo mandato.

Leia mais sobre Afeganistão

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.