Karzai pede investigação sobre bombardeio que matou civis no Afeganistão

(atualiza com fontes afegãs que elevam número de mortos para 100) Cabul, 6 mai (EFE).- O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, ordenou hoje a investigação de um bombardeio da aviação dos Estados Unidos na província de Farah que, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), causou a morte de dúzias de civis.

EFE |

Diversas fontes afegãs consultadas pela Agência Efe elevaram a pelo menos 100 o número de mortos pelo ataque, sobre o qual Karzai, em visita oficial hoje aos EUA, conversará com seu colega americano, Barack Obama.

A deputada afegã Beliqees Roshan disse que o bombardeio da coalizão antiterrorista liderada pelos EUA deixou ontem pelo menos 100 civis mortos.

Já o porta-voz da Polícia, Abdul Ghafar Watandar, afirmou, com base no testemunho de aldeões, que cerca de 100 pessoas morreram, mas disse que não podia confirmar o número.

A agência afegã "AIP", que cita informações procedentes de Farah, disse que o número de vítimas fatais pode chegar a 150.

Uma equipe do CICV enviada ontem à região disse ter visto os cadáveres de "dúzias" de civis, entre eles mulheres e crianças, explicou à Efe a porta-voz da organização em Cabul, Jessica Barry.

Uma equipe de responsáveis militares afegãos e americanos partiu hoje para Farah para investigar o sucedido, segundo um comunicado do presidente Karzai, que qualificou as mortes de civis de "inaceitáveis".

Os insurgentes tinham ganhado força nos últimos dois dias no distrito de Bala Bulok, onde atacaram várias localidades e mataram três civis, após acusá-los de espionar para o Governo afegão e as forças internacionais destacadas no país.

O governador provincial, Rohul Amin, acrescentou que os talibãs mataram também três policiais e feriram quatro antes da intervenção do Exército afegão ontem à noite, com apoio da aviação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Ontem, o comando militar dos EUA assumiu sua participação no ataque e anunciou a abertura de uma investigação.

"Oferecemos nossas condolências aos afetados pelas operações de hoje e investigaremos imediatamente as denúncias para determinar o que aconteceu", disse o porta-voz da coalizão militar encabeçada pelos EUA, o coronel Greg Julian.

Mais de dois mil civis morreram em 2008 devido ao conflito afegão, segundo números da missão da ONU no país.

As forças afegãs e as tropas internacionais foram responsáveis pela morte de 828 pessoas, sendo que 64% delas foram vítimas de ataques aéreos. EFE lo-ja/bba

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