Karzai mantém liderança na apuração da eleição presidencial afegã

A Comissão Eleitoral Independente do Afeganistão divulgou neste sábado novos resultados parciais do pleito presidencial que indicam que Hamid Karzai já pode ter garantido um segundo mandato no primeiro turno. Com 95% dos votos das zonas eleitorais apurados, Karzai obteve 54% - mais do que os 50% necessários para evitar a realização de um segundo turno.

BBC Brasil |

O ex-ministro do Exterior, Abdullah Abdullah, está em segundo lugar, com 28% dos votos.

Mas a Comissão para Queixas Eleitorais (ECC, na sigla em inglês), que tem o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), começou a investigar alegações generalizadas de fraude. O correspondente da BBC na capital afegã, Cabul, Chris Morris, disse que há expectativa sobre o impacto que essa decisão terá sobre o processo eleitoral.

O presidente da ECC, Grant Kippen, disse: "Nós estamos realizando investigações pelo país. Recebemos queixas de todas as províncias."
Segundo Kippen, os observadores e representantes dos candidatos à Presidência do Afeganistão foram convidados para acompanhar o processo de auditoria e recontagem de alguns votos.

O resultado final da eleição pode levar várias semanas para ser divulgado.

O analista da BBC, David Loyn, observou que o sistema organizado para a eleição de 20 de agosto no Afeganistão já apresentava grande potencial para abusos. A Comissão Eleitoral Independente era responsável por três processos: o registro de eleitores, a realização da votação e a apuração dos votos.

As forças internacionais que estão tentando garantir a estabilidade no país não têm grande entusiasmo por outra eleição e pesquisas na Europa e nos Estados Unidos mostram que a opinião pública está perdendo a paciência com a guerra no Afeganistão, que tem custado vidas e milhões de dólares, afirmou Loyn.

Se o resultado desta eleição indicar, no final, que Karzai fica no poder por enquanto, Loyn disse que ele estará enfraquecido politicamente por causa das alegações de corrupção. A contestação de sua legitimidade pode vir especialmente do nordeste do país, reduto dos tadjiques e das forças da Aliança do Norte, que removeram o Talebã do poder com o apoio dos Estados Unidos em 2001.

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