Karzai indica novos ministros ao Parlamento afegão

Naweed Haidary. Cabul, 9 jan (EFE).- O presidente afegão, Hamid Karzai, apresentou hoje ao Parlamento uma nova lista de ministros para seu futuro gabinete, já que, na semana passada, os nomes indicados por ele foram rejeitados pelos legisladores.

EFE |

A lista, que tem 16 nomes e deixa vagas as pastas de Energia e Telecomunicações, foi apresentada à Câmara pelo vice-presidente Karim Khalili, que a leu em um pronunciamento transmitido pelo canal estatal "RTA".

Karzai enviou uma primeira lista de ministros, com 23 nomes, no dia 19 de dezembro. Mas, mas no sábado passado, os parlamentares aprovaram apenas sete das indicações, descartando as outras por diferentes motivos.

Os ministros já confirmados no próximo gabinete de Karzai são os da Defesa (Abdul Rahim Wardak), Interior (Mohammed Hanif Atmar) e Finanças (Hazrat Omar Zakhelwal), além dos da Educação, Agricultura Minas e Informação e Cultura.

Sem outra opção, o presidente reeleito apresentou novos nomes para as pastas que tinham ficado vazias. Desta vez, porém, não fez indicações para os ministérios de Energia e Telecomunicações. Mas sugeriu um ministro de Assuntos Exteriores, o que não tinha feito em dezembro.

Para esta última pasta, o indicado foi Zalmai Rasul. Homem de confiança de Karzai, o conselheiro de Segurança Nacional no primeiro mandato do chefe de Estado deve ter seu nome aprovado sem maiores problemas, segundo analistas.

Caso isso realmente aconteça, Rasul substituirá Rangin Dadfar Spanta, que, por enquanto, continua no posto, preparando a conferência de Londres sobre Afeganistão, prevista para 28 de janeiro.

A nova lista de Karzai inclui ainda três mulheres: Soraya Dalil, Palwasha Hassan e Amina Afzali, que o presidente quer à frente dos ministérios da Saúde Pública, Mulher e Assuntos Sociais, respectivamente.

Karzai renovou seu mandato em novembro de 2009, em uma eleição marcada pela anulação de centenas de milhares de cédulas fraudadas.

Desde então, a apresentação da lista do novo Governo sofreu vários atrasos.

Para que o processo não se arrastasse ainda mais depois que o Parlamento reprovou a maioria dos primeiros indicados, o presidente reeleito obrigou os legisladores a suspenderem o recesso de inverno e a continuarem trabalhando até o novo gabinete ser aprovado.

Paralelamente a isso, os Estados Unidos e a ONU pressionam Karzai para que, em seu novo mandato, ele combata a corrupção e a forme com a ajuda de ministros competentes.

Para montar seu novo gabinete, o chefe de Estado afegão teve que levar em conta as pressões das potências estrangeiras e também dos "barões" regionais que lhe garantiram apoio durante a campanha eleitoral.

Uma das principais dúvidas sobre a equipe de Governo que Karzai montaria era em relação à nomeação de algum dos antigos "senhores da guerra" com os quais ele se aliou para obter votos, apesar da explícita oposição do Ocidente.

Destes, Karzai incluiu na primeira lista o nome de Ismail Khan, homem forte na região oeste do país e indicado para o Ministério de Energia. O Parlamento, porém, não aceitou esta candidatura.

Na segunda lista, outra indicação polêmica, para o Ministério Antidrogas, foi a do ex-ministro do Interior Zarar Muqbil, muito criticado no passado pelas potências ocidentais mas homem de confiança do vice-presidente e ex-senhor da guerra Mohammed Fahim.

Antes de serem oficializadas, as indicações terão que ser debatidas e aprovadas pelos deputados em um processo que inclui várias apresentações dos candidatos, que obrigatoriamente terão de expor suas propostas. Por causa disso, a composição do gabinete só será conhecida daqui a vários dias.

Como aconteceu na primeira lista, a segunda também não incluiu nenhum nome da oposição. EFE nh/sc

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