Karzai e Hillary esclarecem acusações sobre fraude eleitoral

Washington, 2 abr (EFE).- O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, falaram hoje por telefone para esclarecer as declarações nas quais o líder afegão acusou estrangeiros de organizar a fraude eleitoral do último pleito.

EFE |

Os Estados Unidos pediram uma explicação a Karzai, que ligou para Hillary, com quem conversou durante 25 minutos, de acordo com fontes do Departamento de Estado citadas pela "CNN".

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley, assinalou depois em comunicado que o tom da conversa foi "construtivo".

Segundo o porta-voz, Karzai reafirmou na conversa seu compromisso com a relação entre os dois países e expressou seu agradecimento pelas contribuições e os sacrifícios da comunidade internacional em seu país.

Hillary e o governante afegão decidiram que o assunto é 'página virada', e se comprometeram a continuar trabalhando "com um espírito de parceiros".

Em um encontro com trabalhadores dos órgãos eleitorais afegãos, Karzai culpou na quinta-feira pela fraude o ex-número dois da missão da ONU no Afeganistão Peter Galbraith e o chefe dos observadores europeus durante o processo, Philippe Morillon.

Karzai chegou a dizer que os votos emitidos pelo povo afegão "estavam sob o controle de uma Embaixada", sem especificar qual.

"Houve fraude nas eleições presidenciais e provinciais, não há dúvida de que houve uma fraude muito generalizada, mas não foi cometida pelos afegãos, e sim pelo os estrangeiros: Galbraith e Morillon são os responsáveis pela fraude", disse Karzai.

O presidente também disse hoje que os estrangeiros "não querem a realização das eleições parlamentares" de 2010, e pretendem "difamar o Parlamento" e o tornar um "presidente ilegítimo", para que possam "continuar com seu trabalho".

"Infelizmente, nosso Parlamento não se dá conta disto", censurou o presidente.

A ONU assinalou o pleito de setembro deste ano como um dos grandes desafios no Afeganistão em 2010, junto com a assembleia da paz e a Conferência de Cabul.

No entanto, tanto as Nações Unidas como os Estados Unidos expressaram receio sobre este pleito parlamentar, após o controvertido processo eleitoral de 2009.

Ambos consideram que é cedo demais para sua realização, apesar de em princípio estarem previstas para maio e terem sido adiadas a setembro. EFE cae/mh

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