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Karzai e Abdullah cantam vitória nas eleições no Afeganistão

Diego A. Agúndez.

EFE |

Cabul, 21 ago (EFE).- As equipes de campanha dos dois principais candidatos à Presidência afegã, Hamid Karzai - o atual presidente - e Abdullah Abdullah, deram hoje como certa a respectiva vitória nas eleições da quinta-feira, embora a Comissão Eleitoral tenha rejeitado suas estimativas.

"Nossas indicações iniciais mostram que nosso candidato está nas cabeças (...). Certamente, esperaremos a apuração, mas já podemos prever que nosso candidato terá mais de 50% dos votos e, portanto, ganhará no primeiro turno", disse à Agência Efe Sediq Sediqqi, porta-voz da equipe de Karzai.

Sediqqi reconheceu que ainda é "cedo demais para 'cantar' vitória" e que será preciso esperar a apuração da Comissão Eleitoral, mas se mostrou certo de que a candidatura do atual presidente tem uma vantagem definitiva.

O pashtun Karzai - grande favorito, segundo as pesquisas prévias ao pleito - precisa de mais de 50% dos votos para sair vencedor no primeiro turno, uma possibilidade descartada pela equipe de campanha de seu principal adversário.

"É falso que Karzai tenha vantagem. Estamos na melhor situação.

Abdullah, por enquanto, tem 62% dos votos, enquanto Karzai, tem apenas 32%", disse à Agência Efe Fazel Sangcharaki, porta-voz do candidato opositor.

Karzai partia com grande vantagem em intenções de voto sobre seus adversários antes das eleições, mas as reivindicações de sua equipe - e também da campanha de seu adversário - apenas um dia depois do pleito foram censuradas pela Comissão Eleitoral.

"Nem confirmamos nem aceitamos essas reivindicações. Começaremos a informar sobre a apuração de resultados a partir de 25 de agosto.

Portanto, nenhum candidato pode se atribuir a vitória", disse à Efe o porta-voz da Comissão Eleitoral, Noor Mohammed Noor.

Essa avaliação foi referendada pouco depois pelo secretário do organismo, Daoud Ali Najafi, que qualificou, em entrevista coletiva, os anúncios dos candidatos como "pouco confiáveis" e pediu à imprensa e à população que acredite apenas nos dados da Comissão.

Nas últimas horas, ocorreu um gotejamento de denúncias de fraude eleitoral, com casos de crianças depositando o voto, pessoas que votaram duas vezes e colégios sem controle de observadores independentes nem interventores dos candidatos.

Essas críticas já foram repercutidas ontem pelo terceiro candidato em disputa, Ramazan Bashardost, que utilizou lixívia para mostrar que era possível apagar a tinta colocada no dedo para controlar o voto, e que hoje criticou os dois favoritos.

"O que Karzai e Abdullah estão fazendo mostra que não respeitam a lei eleitoral. E, se não respeitam a lei agora, o que farão quando chegarem ao poder", disse hoje à Efe, após saber das reivindicações de seus adversários.

Bashardost preferiu esperar para ter mais dados sobre as possíveis irregularidades, que o secretário da Comissão prometeu avaliar caso a caso no procedimento aberto por seu organismo para depositar todas as possíveis queixas.

"A fraude maciça está descartada. Em todo caso, há irregularidades em diferentes pontos que teremos que estudar até chegar a uma decisão a respeito", disse à Efe Najafi, após a entrevista coletiva.

Tanto Najafi quanto Noor confirmaram que a Comissão Eleitoral praticamente terminou o cômputo dos votos e, faltando os dados em quatro das 34 províncias, o porta-voz estimou que a participação ficará entre 45% e 50% dos eleitores.

Os analistas temiam uma baixa participação, depois que os insurgentes talibãs pediram o boicote do processo e ameaçaram cometer represálias aos cidadãos que fossem votar, entre os 17 milhões de pessoas convocadas às urnas.

Embora a cúpula de segurança tenha contabilizado cerca de 130 atos violentos e aproximadamente 50 vítimas fatais, tanto Karzai quanto seus aliados internacionais disseram que tinham piores expectativas e comemoraram a realização do pleito.

Entre os que expressaram sua satisfação com andamento do processo, está o comandante das tropas estrangeiras no Afeganistão, Stanley McChrystal, que elogiou, em comunicado, o "trabalho elogiável" das forças de segurança para proteger o voto.

Diversas fontes internacionais consultadas pela Efe avaliaram o processo eleitoral como um "êxito moderado". EFE daa/an

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