Karzai defende eleição afegã; soldados italianos sofrem ataque

Por Sayed Salahuddin CABUL (Reuters) - O presidente afegão, Hamid Karzai, disse nesta quinta-feira que há exagero nas denúncias de fraude eleitorais no país. Logo em seguida, um atentado suicida matou seis soldados italianos e mostrou que a insurgência do Taliban continua forte.

Reuters |

Foi a primeira entrevista coletiva do presidente desde a eleição de 20 de agosto, a poucas centenas de metros do local onde a explosão atingiu o comboio militar, que deixou seis soldados mortos e três feridos graves, segundo o ministério italiano da Defesa.

O porta-voz do ministério da Defesa do Afeganistão Zaher Azimy disse que, além dos italianos, dez civis afegãos foram mortos e 52 ficaram feridos.

A violência no Afeganistão está no seu maior nível desde o fim do regime islâmico do Taliban, em 2001, e o impasse em torno do resultado eleitoral gera preocupação de que o país mergulhe na instabilidade.

Resultados preliminares completos divulgados na quarta-feira indicaram a reeleição de Karzai em primeiro turno, com mais de 54 por cento dos votos. A União Europeia, no entanto, disse que mais de um terço dos votos atribuídos a ele estão sob suspeita.

O resultado só será oficializado depois de ser aprovado por uma Comissão de Queixas Eleitorais, apoiada pela ONU, que determinou uma recontagem de cerca de 10 por cento das seções eleitorais, alegando haver "claras e convincentes evidências de fraude."

Karzai, que preside o Afeganistão desde logo depois da queda do regime Taliban, falou com confiança sobre o resultado eleitoral, mas evitou declarar vitória.

Ele afirmou que as denúncias de fraude devem ser investigadas, mas minimizou a sugestão de que as impugnações seriam suficientes para provocar um segundo turno contra seu rival Abdullah Abdullah.

"Acredito firmemente, firmemente na integridade da eleição e na integridade do povo afegão, e na integridade do governo nesse processo," disse Karzai. "Como em outras eleições no mundo (...), houve problemas e sensibilidades nas eleições afegãs, mas elas não tiveram a extensão de que fala a mídia."

A campanha de Karzai qualificou como "irresponsáveis" as suspeitas lançadas na quarta-feira pelo chefe da missão de observação eleitoral da União Europeia, segundo quem houve irregularidades em até 1,5 milhão de votos, dos quais 1,1 milhão para Karzai.

As autoridades ocidentais inicialmente elogiaram o pleito de agosto, que desmentiu os temores de que haveria ataques generalizados do Taliban. Desde então, porém, começaram a surgir dúvidas quanto à lisura do processo.

O resultado oficial ainda pode demorar semanas ou meses, prolongando a incerteza política.

Karzai repetiu a oferta a Abdullah para ocupar um cargo no seu novo governo. O ex-chanceler já disse, no entanto, que não está interessado. Abdullah defende a instauração de um governo provisório, sem a participação dele ou de Karzai, enquanto as denúncias de fraude são investigadas.

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