Karzai apoia sugestão de Obama de falar com talibãs moderados

Cabul, 8 mar (EFE).- O presidente afegão, Hamid Karzai, deu hoje as boas-vindas às declarações do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nas quais o líder americano sugere a possibilidade de que as forças americanas no Afeganistão mantenham contatos com grupos talibãs moderados.

EFE |

Em discurso pronunciado em uma escola em Cabul diante de um grupo de mulheres, Karzai disse que "são boas notícias que ontem Obama tenha aceitado as conversas de paz e reconciliação com os talibãs moderados, como os chamam".

Em entrevista publicada hoje no jornal americano "The New York Times", Obama abriu as portas para que as tropas dos EUA no país possam iniciar conversas com um setor dos insurgentes, como parte da estratégia de Washington no país, mas não deu muitos detalhes e insistiu em que o conflito afegão é mais "complexo" que o do Iraque.

"Esta foi a postura do Governo afegão há muito tempo. Apoiamos (esta ideia) para que a paz e a estabilidade chegue a nosso país", reiterou hoje Karzai.

"Os talibãs que não estão com a Al Qaeda, os que não estão envolvidos no terrorismo, os que não destroem seu país por ordem dos estrangeiros ou os que tiveram que abandonar o país de forma obrigada por medo ou outras razões são bem-vindos", disse o presidente afegão.

Karzai já expressou em várias ocasiões seu desejo de negociar em termos muito mais amplos com os talibãs, entre eles o líder do grupo, o mulá Omar, "se aceitarem a Constituição", e inclusive se for necessário, à margem da postura da comunidade internacional.

"Aceitamos e damos as boas-vindas às conversas de paz entre Estados Unidos e os talibãs", acrescentou.

Na entrevista, Obama se limitou a traçar um paralelismo com o Iraque, onde "parte do êxito" está nos contatos com "gente que consideraríamos fundamentalistas islâmicos, mas que estavam dispostos a trabalhar (com os EUA), porque tinham ficado alienados pelas táticas da Al Qaeda", em alusão a milícias sunitas do país árabe.

No entanto, o Afeganistão é uma região "menos governada, com uma história de feroz independência entre as tribos", que atuam com "interesses opostos", por isso, achar uma estratégia adequada será um grande "desafio", segundo Obama.

Karzai, que ontem aceitou realizar as decisivas eleições presidenciais em agosto - e não ainda no primeiro semestre, como era sua vontade - mantém uma relação mais fria com Obama do que com a Administração de George W. Bush.

Em dezembro, o mulá Omar tachou de "propaganda" as especulações na imprensa segundo as quais os talibãs tinham realizado negociações de paz com o Governo afegão. EFE lo-amp/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG