Karzai anuncia criação de conselho nacional para reconciliação

Londres, 28 jan (EFE).- O presidente afegão, Hamid Karzai, anunciou hoje durante a abertura da Conferência de Londres sobre o Afeganistão a criação de um conselho nacional para a reconciliação e a integração nacional, com participação de todos aqueles setores que renunciem à violência.

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Durante seu discurso na abertura da Conferência na capital britânica, Karzai disse que, após a reunião, será formada uma "jirga (assembleia tradicional afegã) de paz" com o rei Abdullah da Arábia Saudita desempenhando "um importante papel" para "orientar e contribuir" no processo de transição política no Afeganistão.

"Devemos estender a mão a todos os nossos compatriotas, especialmente aos irmãos que não pertencem à Al Qaeda ou a outras redes terroristas e que aceitam a Constituição afegã", manifestou o presidente afegão.

Um dos objetivos da reunião em Londres é atrair os setores moderados do movimento talibã a uma mesa de negociação e estudar a criação de um "Fundo de Reinserção", que encoraje os insurgentes a abandonar as armas e apoiar o Governo, com incentivos econômicos, trabalhistas e de concessão de terras.

Os talibãs contestaram de antemão essa eventual oferta, qualificando a Conferência de Londres como um "engano" dos líderes mundiais "promotores de guerras" e pedindo a retirada das tropas estrangeiras no Afeganistão para conseguir a paz no país.

Em comunicado, os insurgentes disseram que a Conferência será uma "bobagem" se permanecer a "ocupação" no Afeganistão.

Perante os delegados dos cerca de 60 países que participam da Conferência, Karzai reivindicou um especial protagonismo para seu país e seus cidadãos no processo para recuperar o controle político e de segurança.

"Estamos aqui para falar de como avançamos, com uma iniciativa de autoria afegã, que garanta a paz e a estabilidade do Afeganistão e de seus vizinhos", disse Karzai, que ressaltou que "os sucessos destes últimos oito anos não teriam sido possíveis sem o sacrifício dos cidadãos afegãos".

Karzai também destacou a importância de envolver os países da região no processo para devolver as competências em matéria de segurança ao Exército e à Polícia do Afeganistão, algo que poderia começar a ocorrer em algumas províncias no final deste ano.

"Não é possível estabilidade e segurança no isolamento. A segurança do Afeganistão necessita de um enfoque integral com participação e cooperação dos países da região", indicou o presidente, que acredita completar este processo no prazo de "dois ou três anos". EFE fpb/sa

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